O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a identificação de um voo do parlamentar em uma aeronave ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira (24), nas redes sociais de Caiado.
“Quem tem teto de vidro não pode jogar pedra nos outros, Flávio. Voar no jato do Vorcaro, receber dinheiro e jantar com quem lesou milhões de aposentados não é coincidência, é cumplicidade”, escreveu o candidato. Ele também afirmou que ainda haveria tempo para Flávio Bolsonaro explicar a viagem e outras circunstâncias do caso.
O voo entre a Flórida e Brasília
O deslocamento ocorreu em 19 de janeiro de 2025, em um Legacy 650 de prefixo PP-NLR. A aeronave saiu do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, na Flórida, com destino a Brasília. Estavam a bordo Flávio Bolsonaro, a esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz.
O avião era compartilhado por três cotas. Uma participação de 33,33% pertencia à Prime You, empresa que tinha Vorcaro como sócio no momento do voo e havia adquirido a fatia no final de 2024. A companhia também operava a aeronave por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Vorcaro permaneceu no quadro societário até setembro de 2025.
Outra cota pertencia a uma empresa controlada por Willer Tomaz. Um relatório da Polícia Federal aponta que cada fatia de 33,33% estava avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025. O mesmo avião foi usado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em agosto de 2025.
Manifestação de Willer Tomaz
Em nota, Tomaz confirmou ser titular de um terço da aeronave e disse que a gestão cabia à Prime You. Segundo ele, os voos eram privados, não remunerados, e amigos podiam ser convidados para viajar quando houvesse assentos disponíveis e o destino fosse o mesmo, sem pagamento ou contrapartida.
O advogado afirmou que só soube da participação societária de Vorcaro em abril de 2026. Depois disso, disse ter denunciado o contrato e iniciado uma disputa judicial contra a Prime You. Tomaz também negou conhecer pessoalmente o empresário ou ter feito negócios com ele.
A viagem se soma a outras conexões empresariais já apontadas envolvendo Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e pessoas ligadas a Vorcaro. Entre elas está o uso, durante a campanha presidencial, de um apartamento em São Paulo pertencente a uma empresa de Tomaz. Também foram citadas relações na administração de uma propriedade frequentada pela família Bolsonaro em Angra dos Reis (RJ), gerida pela Prime You.







