Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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As declarações de Flávio Bolsonaro contestadas por fatos e documentos

Senador negou vínculo com o filme Dark Horse, minimizou recursos públicos na produção e fez afirmações sobre o PIX e a fome.

Master, filme, PIX e mais: as mentiras que Flávio Bolsonaro já contou

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, foi confrontado nas últimas semanas por declarações que entram em contradição com documentos, investigações e registros públicos. Entre os episódios estão a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o financiamento do filme Dark Horse, a autoria do PIX e imagens usadas para falar sobre fome no governo Lula.

Horas antes do vazamento de mensagens em que negociava com Vorcaro apoio ao longa sobre Jair Bolsonaro, o senador negou qualquer relação entre o filme e o dono do Banco Master, preso pela Polícia Federal. Ao ser questionado, respondeu: “É mentira! De onde você tirou essa informação?”. Mais tarde, em vídeo publicado para se defender, admitiu a existência das conversas e afirmou que não havia recursos públicos na produção.

O filme sobre Jair Bolsonaro

A afirmação sobre o financiamento foi contestada pelos repasses feitos pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista do filme e ex-ministro da Cultura. Em 2024, ele destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares à produtora do longa, por meio do Instituto Conhecer Brasil.

O instituto é presidido por Karina Ferreira Gama, dona da Go UP Entertainment, empresa responsável pelas etapas de pré e pós-produção de Dark Horse. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) levou o caso ao Supremo Tribunal Federal, que determinou que Frias explicasse os repasses. O processo segue em aberto.

As investigações sobre o Banco Master também apuram possíveis irregularidades envolvendo recursos de regimes próprios de previdência de estados e municípios e a compra de fundos de precatórios. Nesse contexto, não é possível garantir que valores repassados por Daniel Vorcaro não tenham origem em dinheiro público.

A relação com o Banco Master

Em abril de 2026, Flávio classificou como “narrativa falsa” a associação entre políticos da direita e da extrema direita e o caso Master. A Polícia Federal, porém, investiga um suposto pagamento de R$ 300 mil mensais, além de outras vantagens, de Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

A apuração identificou ainda que Nogueira protocolou no Senado a PEC 65/2023, elaborada pela assessoria do banco. A proposta ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito e poderia favorecer diretamente o Master, mas não avançou.

As conexões citadas também alcançam as campanhas de Jair Bolsonaro à Presidência e de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, em 2022. O ex-presidente recebeu R$ 3 milhões, enquanto Tarcísio recebeu R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado no caso.

PIX e fome

Em maio de 2026, durante uma entrevista coletiva em Florianópolis, Flávio participou da campanha que atribui a Jair Bolsonaro a criação do PIX. O sistema foi lançado em novembro de 2020, mas começou a ser planejado em 2018, durante o governo Michel Temer. Naquele período, o Banco Central criou um grupo de trabalho para estudar mecanismos de pagamento instantâneo.

Também houve contestação a uma publicação do senador sobre pobreza extrema. Em abril, ele usou imagens de pessoas recolhendo comida do lixo para criticar o governo Lula. As gravações, no entanto, foram feitas em outubro de 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Contradições sobre o Supremo e a reeleição

Além das declarações classificadas como falsas, o senador acumulou mudanças de posição. Em abril de 2024, depois de uma entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, afirmou que pedir o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal não resolveria os problemas do país. Em julho de 2025, porém, protocolou no Senado um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.

Em março deste ano, Flávio apresentou uma PEC para acabar com a reeleição para a Presidência da República. Dois meses depois, durante o lançamento da chapa de Jorginho Mello ao governo de Santa Catarina, em Florianópolis, falou em governar por oito anos caso fosse eleito.

A sucessão de declarações ocorre enquanto Flávio assume a liderança da ultradireita na disputa presidencial, após o impedimento de Jair Bolsonaro, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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