Jair Bolsonaro recebeu do filho Flávio Bolsonaro o livro Metanoia – A Chave está em sua mente três dias depois de ser preso em uma cela da Polícia Federal, em novembro de 2025. A obra é assinada pelo pastor JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja frequentada por Flávio, Fernanda Bolsonaro e Michelle Bolsonaro.
O livro apresenta os santos católicos como versões incorporadas ao cristianismo de antigos deuses pagãos. No capítulo “Guerra Cultural”, Carvalho afirma que, após a expansão do cristianismo pelo Império Romano, elementos do paganismo teriam sido assimilados pela religião cristã e passado a compor a devoção aos santos.
“o paganismo vencido procurou sincretizar-se ao cristianismo mediante o culto dos deuses pagãos disfarçados de santos católicos”, escreve o pastor. Em outro trecho, ele diz que o “inimigo” teria adulterado a mensagem do Evangelho e associa essa suposta alteração ao gnosticismo.
A crítica do livro também alcança a tradição católica medieval. Carvalho estabelece uma oposição entre o catolicismo e a Reforma Protestante ao afirmar que, na cultura católica medieval, o trabalho era visto como castigo, enquanto entre os protestantes seria uma vocação.
Ataques a Nossa Senhora Aparecida
JB Carvalho também é autor de A Bomba – A verdade pode ser explosiva, obra publicada em 2001 na qual defende um movimento para retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil. Em culto na Comunidade das Nações, ele voltou a criticar a devoção dos católicos à imagem.
“O que Deus denuncia é a fraude de quem transforma a adoração em uma representação”, afirmou em um trecho de sermão publicado pela própria igreja. A fala ocorreu em meio ao debate sobre a devoção a Nossa Senhora Aparecida.
O teólogo, pastor, licenciado em história e pós-graduado em Ciências Políticas Zé Barbosa Jr. avaliou que a declaração retoma ideias já apresentadas em A Bomba. Segundo ele, o livro associa a chamada Rainha dos Céus a uma entidade maligna e atribui à devoção efeitos negativos sobre o Brasil.
Na obra, Carvalho afirma que a figura associada às aparições não seria Maria, mãe de Jesus, mas um ser maligno. Ele também usa os termos “fraude” e “engodo” para descrever a devoção à padroeira do Brasil.
“Deusa da promiscuidade”
Em outro trecho de A Bomba, o bispo classifica Nossa Senhora como “Deusa da promiscuidade” e atribui a essa figura responsabilidades por problemas como prostituição, pornografia, aborto e outros males que ele relaciona ao mundo e ao Brasil.
Carvalho ainda convoca cristãos brasileiros a rejeitar o título de Nossa Senhora Aparecida e a reconhecer Jesus Cristo como único Senhor no país. O livro também relaciona o culto à padroeira a dificuldades nacionais após a escolha de Tancredo Neves, citando recessão, inflação, secas, enchentes e criminalidade.







