SÃO PAULO — A operação Vectura Corrupta apura se empresas de transporte coletivo de municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes do PCC depois de vencer licitações. A investigação também examina suspeitas de corrupção de servidores públicos e de financiamento de campanhas eleitorais pelo grupo durante as eleições de 2024 e a deste ano.
A decisão que autorizou a ação desta quinta-feira (17) menciona conversas atribuídas a supostos laranjas da facção sobre fuzis, coletes balísticos e cerca de 200 quilos de pasta-base de cocaína. O documento ressalva que o caso ainda está em investigação e não representa conclusão nem condenação.
Empresas e diálogos sob análise
Claudionor Aparecido Sabino Tomaz e José Daniel Satilite são sócios da Translider, empresa de ônibus de Cubatão (SP). Conforme a polícia, os dois atuariam como laranjas do PCC no setor de transportes. Mensagens citadas na decisão indicam que eles receberiam ordens de uma pessoa chamada de “patrão”.
Os investigadores interpretaram a expressão “óleo para produzir ouro branco”, usada em uma das conversas, como referência a drogas. Os diálogos também mencionariam o receio de prisões e a possibilidade de substituição dos laranjas por outras pessoas.
Ainda segundo a decisão, Tomaz e Satilite afirmariam ser laranjas do empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, dono da A2 Transportes e presidente do Esporte Clube Água Santa. Paulo e a empresa foram alvos da operação por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. Os dois negam.
“A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro”, afirmou Korek. Ele também disse acreditar que a operação tem “forte componente político” e declarou que a empresa continuará colaborando com as instituições responsáveis pela apuração.
A gestão Ricardo Nunes informou ter criado um grupo de trabalho para examinar contratos entre o município e empresas investigadas. No caso da A2, a administração avalia um decreto de intervenção semelhante aos adotados com a Transwolff e a UpBus, também citadas em operações por suspeitas de ligação com o PCC.
Mandados e outras suspeitas
A decisão autorizou mandados de prisão contra 16 pessoas e buscas em 18 endereços de São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. As ordens partiram da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e da Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos.
Entre os alvos está Milton Leite (União Brasil), ex-vereador e parlamentar mais longevo da Câmara de São Paulo. Para a Justiça, ele seria o “dono de fato” da Transwolff e teria sido citado como responsável direto pela operação de empresas controladas pela facção. Leite não foi encontrado nos endereços investigados e afirmou que se entregaria em até 24 horas. Ele nega as acusações e a Transwolff também rejeita a suspeita.
A investigação aponta ainda que o PCC controlaria 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital e usaria laranjas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelos negócios. Entre as empresas investigadas estão Translider, A2, Otrantur e Transbellaflor, com atuação mencionada em São Paulo, Cubatão, Leme, Itanhaém e São Vicente.








