Robson Calixto da Fonseca, conhecido como Peixe, intermediou um pedido de emenda parlamentar de R$ 199.999,79 ao gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O recurso foi negociado entre outubro e novembro de 2023 e destinado a um projeto de futebol infantil ligado à entidade Ifop, na Taquara, Zona Oeste do Rio.
Ex-assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro de 2026, por organização criminosa armada. Ele é apontado pela Polícia Federal como um dos principais interlocutores dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.
Atuação no caso Marielle
De acordo com a investigação da Polícia Federal, Peixe fazia a intermediação entre os irmãos Brazão e integrantes ligados à milícia. A Procuradoria-Geral da República afirmou que ele era homem de confiança dos irmãos e transmitia ordens, além de assegurar a lealdade do grupo criminoso.
Na delação premiada de Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle Franco e Anderson Gomes, Calixto aparece como responsável por apresentá-lo aos mandantes do crime. Lessa também declarou que Peixe providenciou a submetralhadora HK MP5 usada nos assassinatos.
Pedido de verba
Em 2023, durante as investigações sobre o caso Marielle, Calixto procurou Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado Federal. O contato da assessora estava salvo no celular apreendido pela Polícia Federal como “Fafá Flávio Bolsonaro”.
A verba foi direcionada a um projeto esportivo ligado à Ifop, no bairro da Taquara, área de influência dos irmãos Brazão. Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi executada dentro da legalidade. Segundo a defesa, a entidade apresentou notas fiscais dos materiais comprados e devolveu os valores não utilizados; a responsabilidade pela aplicação dos recursos seria da entidade beneficiária, e não do parlamentar.
Emendas parlamentares permitem que senadores e deputados federais indiquem recursos do orçamento da União para projetos e obras em suas bases eleitorais. A verba pode ser usada em áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura e cultura.







