A Globo confirmou nesta sexta-feira (4) a saída de três diretores da alta direção: Manuel Belmar, Manuel Falcão e Pedro Garcia. A empresa apresentou as mudanças como parte de uma nova estrutura organizacional, com redistribuição de funções ligadas à televisão, ao streaming, ao marketing e à negociação de conteúdo.
Belmar era responsável por Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura. Falcão comandava Marca e Comunicação, enquanto Garcia dirigia a área de Aquisição de Direitos. A emissora negou que a decisão esteja relacionada aos resultados financeiros ou à estratégia adotada para a Copa do Mundo de 2026.
Paulo Marinho, presidente da Globo, afirmou que a decisão sobre a renegociação dos direitos do Mundial foi tomada pelo Conselho de Administração do Grupo. Para ele, essa deliberação não pode ser atribuída individualmente aos executivos. A empresa declarou que a adaptação da estrutura aos rumos de sua estratégia é o “único motivo” das movimentações.
A discussão ganhou força porque a Globo exibiu 55 das 104 partidas da Copa, enquanto a CazéTV comprou os direitos de todos os jogos e teve exclusividade em dezenas deles. Foi a primeira edição do torneio desde 1970 em que a Globo não transmitiu a competição inteira. A divisão ampliou o espaço da CazéTV em confrontos de França, Portugal, Inglaterra e Holanda no mata-mata, embora a Globo tenha alcançado público maior em várias comparações de audiência.
Transição e nova organização
A saída de Belmar terá um período de transição até o primeiro trimestre de 2027. Ele continuará responsável por Finanças e pelo Centro de Serviços Compartilhados e participará da escolha do sucessor. O executivo está no Grupo Globo desde 2003.
Falcão encerra uma trajetória de quase três décadas na empresa. Garcia deixa a companhia depois de 45 anos, com passagem por diferentes áreas e atuação na negociação e na gestão de direitos.
Na nova configuração, TV Globo e Estúdios Globo funcionarão de forma integrada. Distribuição e Direitos serão reunidos sob o comando de Fernando Ramos, que já atuava com parcerias e negociações estratégicas. A estrutura ficará responsável pela exploração de conteúdos em diferentes plataformas e por acordos com parceiros.
Marca, Marketing e Consumidor também formarão uma área integrada. Enquanto a Globo busca um novo líder, Cristovam Ferrara responderá interinamente por Marca e Comunicação. Júlia Rueff assumirá Plataformas Digitais, depois de liderar o Globoplay, Marketing, Experiência do Cliente e Analytics dos produtos digitais.
Relações Institucionais, Jurídico e Compliance serão transferidos para a holding. A área de Estratégia terá seu escopo ampliado e passará a incluir funções de governança corporativa.
A empresa associou a reorganização à transformação tecnológica dos negócios, com maior integração de Tecnologia, Dados e Inteligência Artificial. A mudança também pretende colocar o consumidor no centro das decisões, preservar a força da televisão aberta e acelerar o crescimento das operações digitais da Globo.








