Poucos gêneros do rock são tão reconhecíveis e, ao mesmo tempo, difíceis de definir quanto o progressivo. Canções longas, mudanças de andamento, teclados, letras ambiciosas e músicos dispostos a ultrapassar os limites do rádio aparecem entre suas marcas — mas nenhum desses elementos, isoladamente, determina o estilo.
As raízes do gênero estão nos anos 1960, quando a psicodelia, o jazz, a música clássica e as novas possibilidades de gravação começaram a levar o rock além do formato tradicional de três minutos. Beatles, Pink Floyd, Soft Machine e King Crimson ajudaram a abrir esse caminho.
Com o passar do tempo, a ideia de experimentar e ampliar limites passou a ser associada também a suítes extensas, conceitos complexos e uma grandiosidade que, na década de 1970, foi criticada como excesso e pretensão.
Um disco em três movimentos
Nesse cenário, “Close to the Edge”, do Yes, lançado em 1972, concentra vários dos elementos ligados ao rock progressivo. O álbum tem apenas três faixas e combina rock, folk, passagens instrumentais extensas, letras abstratas e estruturas que mudam de direção quando parecem começar a se revelar.
A faixa-título ocupa todo o primeiro lado do LP e é dividida em movimentos. “And You and I” ultrapassa dez minutos, enquanto “Siberian Khatru” encerra o disco. O site oficial do Yes descreve o trabalho como um registro definidor da banda e do próprio movimento progressivo.
O álbum também mostrou que a complexidade não impedia o alcance comercial. “Close to the Edge” chegou ao 4º lugar no Reino Unido e ao 3º nos Estados Unidos, tornando-se um dos maiores sucessos da carreira do grupo.
“The Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, aparece como outra escolha possível por ser uma porta de entrada conhecida para esse universo e um dos discos mais vendidos da história. Ainda assim, a combinação de estruturas elaboradas, faixas extensas e aceitação do público faz de “Close to the Edge” um molde recorrente para a ideia de rock progressivo — inclusive para quem se depara com uma suíte de 18 minutos e procura a saída de emergência.







