TORONTO — Zack Snyder voltou a comentar as interpretações políticas e sexuais de 300, filme lançado em 2006. Em entrevista após a exibição de The Last Photograph no Festival Internacional de Cinema de Toronto, o diretor rejeitou acusações de homofobia e fascismo associadas à sua obra e disse que considera o épico “um dos filmes mais gays já feitos”.
A declaração veio acompanhada de uma resposta bem-humorada: “há poucos filmes em que as pessoas entram hétero e saem gays, e ‘300’ é um deles”. Snyder já havia defendido uma leitura semelhante em 2024, durante uma conversa no podcast de Joe Rogan.
As críticas ao filme
As reações sobre 300 começaram antes do lançamento comercial. Durante a passagem pelo Festival de Berlim, em 2007, parte da imprensa acusou a produção de exaltar uma estética fascista. Outras interpretações apontaram homoerotismo, racismo e homofobia.
Ao relembrar os rótulos, Snyder resumiu o conjunto de críticas como “homoerótico”, “transfóbico” e “fascista”. Ele também contou que, naquele período, um jornalista perguntou se o diretor era “pró-gay ou pró-NRA”, em referência à associação americana de defesa das armas. Snyder respondeu que era um pouco dos dois e, depois, afirmou ser “obviamente pró-gay”.
Para o cineasta, o homoerotismo de 300 foi uma escolha consciente. Ele disse que conhecia a sexualidade da cultura espartana e buscou levar essa dimensão para a representação visual dos guerreiros, sem transformá-la em um elemento explícito da trama. A estética do filme enfatiza corpos musculosos, torsos expostos e a força física masculina. O contraste com Xerxes, interpretado por Rodrigo Santoro, também participa dessa linguagem visual.
Projeto sobre Alexandre e Heféstion
Durante a pandemia, a Warner Bros. pediu a Snyder que desenvolvesse um possível 3º filme ligado a 300. A ideia se afastou dos espartanos e se transformou em Blood and Ashes, roteiro centrado em Alexandre, o Grande, e Heféstion. Em 2021, o diretor descreveu o projeto como uma história de amor entre os dois, mas a Warner recusou a produção.
Três anos depois, ao falar sobre uma possível série ambientada no universo de 300, Snyder afirmou que gostaria de ampliar os elementos homoeróticos e abordar de modo mais direto aspectos da sexualidade masculina apenas sugeridos no longa original.
Baseado na HQ de Frank Miller e Lynn Varley, 300 dramatiza a Batalha das Termópilas e acompanha o rei Leônidas, vivido por Gerard Butler, contra o exército persa comandado por Xerxes. O filme arrecadou mais de US$ 450 milhões mundialmente. As novas declarações foram dadas durante a divulgação de The Last Photograph, drama de ação independente exibido no Festival de Toronto no domingo (13/9).







