MADRI — A crise habitacional espanhola levou Pedro Almodóvar a cobrar uma resposta dos políticos durante uma visita, neste domingo, ao acampamento instalado na praça Puerta del Sol, no centro de Madri. O cineasta classificou a situação como “absolutamente insuportável”.
O movimento ganhou força depois que milhares de pessoas foram às ruas na véspera para pedir a redução dos preços dos imóveis e mais proteção para quem aluga. Na Puerta del Sol, os manifestantes montaram cerca de 100 barracas.
“E os políticos têm que resolvê-lo, porque são quem nos governa”, disse Almodóvar, referindo-se ao problema da habitação. Em outra declaração, ele afirmou que a crise “paralisa a vida espanhola” e impede muitos jovens de sair da casa dos pais.
Pressão sobre o mercado
O Banco da Espanha estima um déficit habitacional de 700 mil unidades no país, que tem cerca de 50 milhões de habitantes. O cálculo considera a diferença entre a procura por moradias e o volume de novas construções.
De acordo com analistas, a procura também aumentou por causa do turismo e do crescimento populacional ligado à imigração. Em dez anos, o preço médio do metro quadrado para aluguel dobrou e chegou a € 15,1 em agosto, conforme dados do portal imobiliário Idealista. Na compra, o valor está em € 2.355, alta de mais de 50% no mesmo período, segundo dados oficiais.
O chefe de governo socialista Pedro Sánchez prometeu priorizar o tema no ano passado e enfrenta pressão crescente com manifestações em várias cidades. Na próxima reunião do Conselho de Ministros, o governo deve aprovar um pacote com medidas como a renovação automática dos contratos de aluguel e novas restrições aos despejos.
A proposta, porém, pode não obter apoio no Parlamento. O Executivo não conta com maioria.








