Eduardo Dussek, 72, contou que vive um grande amor e que mantém uma relação não monogâmica. O cantor e compositor também falou sobre os 12 anos de convivência com o Parkinson, os excessos da juventude e a maneira como a doença transformou sua visão sobre a vida.
Em entrevista ao videocast Conversa vai, conversa vem, Dussek lembrou o período em que morou na República da Álvaro Ramos, em Botafogo, no Rio, ao lado de Luiz Fernando Guimarães e de integrantes do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone. Ao falar sobre os anos 1970, descritos na conversa como uma época de sexo, drogas e rock and roll, ele disse ter usado drogas, mas sem perder a noção das próprias atitudes.
O artista afirmou que chegou a gostar da experiência, mas não recomenda o uso. Para ele, o trabalho cumpre uma função semelhante à que buscava nas drogas: ajudá-lo a sair da realidade sem comprometer a saúde.
Sexualidade e liberdade
Dussek também rejeitou a necessidade de definir a orientação sexual das pessoas. Ao recordar uma declaração sobre ter apenas closet em casa, em resposta a perguntas sobre quando sairia do armário, disse considerar invasiva a curiosidade sobre o sexo de alguém antes de uma relação.
Ele relacionou sua trajetória à liberdade estética e à diversidade. Citou a androginia presente nos anos 1970 e mencionou David Bowie, Ney Matogrosso, Caetano e Gilberto Gil como referências. O cantor também lembrou que usava batom preto e saia, associando a irreverência à quebra de tabus.
Sobre sua vida amorosa, Dussek disse que está com a mesma pessoa há 15 anos. Explicou que os dois não moram juntos e que a relação não é monogâmica, embora continuem querendo ficar juntos. Para ele, o acordo não nasceu de uma imposição de nenhum dos dois e permite que se relacionem com outras pessoas.
O aprendizado com o Parkinson
Ao falar sobre a doença, o cantor afirmou que o Parkinson o ensina a retirar o ego do centro e a reconhecer que não existe apenas uma pessoa no mundo. Ele descreveu a religiosidade como uma ligação com o universo, sem associá-la à imagem de um Deus sentado e julgando.
Dussek disse ainda que entende Deus como tudo o que existe, já que tudo tem átomo e célula.








