Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Filme leva investigação de violência sexual a uma estação isolada na Antártida

Longa de Bruno Safadi acompanha uma pesquisadora após um crime e usa tecnologia virtual para recriar o continente gelado.

Filme leva investigação de violência sexual a uma estação isolada na Antártida

Em uma estação onde ninguém pode ir embora durante o inverno, a confiança entre pesquisadores e militares começa a desmoronar depois de uma violência sexual. Essa é a situação central de Antártida, novo filme de Bruno Safadi, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 17, após abrir o 54º Festival de Cinema de Gramado.

Escrito por Claudia Jouvin, o longa acompanha Inês, interpretada por Marina Ruy Barbosa. Recém-chegada à fictícia Estação Comandante Diniz, ela se integra à equipe e tenta aproveitar a experiência profissional. Depois de beber com os colegas, sofre a violência na primeira noite de isolamento. A partir daí, todos os homens da base se tornam suspeitos.

A investigação é conduzida por Elisabeth, vivida por Andrea Beltrão, com a ajuda de Marina, personagem de Leandra Leal, e Rose, interpretada por Mariana Sena. A trama acompanha não só a busca pelo responsável, mas também a dificuldade de Inês para ser ouvida e encontrar apoio entre pessoas que acabou de conhecer.

Para Marina Ruy Barbosa, era importante apresentar a personagem antes do trauma, como alguém disposta a se enturmar e celebrar a oportunidade. “Ela não tem com quem falar que ela confie”, afirma a atriz. Depois da violência, o isolamento da estação passa a existir também no campo emocional, enquanto Inês tenta reconstruir a própria percepção sobre o mundo.

A produção recriou as paisagens da Antártida em um estúdio virtual, sem levar a equipe ao continente gelado. Um painel de LED ocupava aproximadamente 300 metros quadrados de um espaço com cerca de 1,5 mil metros quadrados. Imagens reais da Patagônia foram usadas na composição do cenário digital.

Ao contrário do chroma key, o ambiente virtual estava presente durante as filmagens e oferecia referências concretas para os atores e para a câmera. Leandra Leal afirma que a preparação buscou evitar um set rígido e também construir a dinâmica coletiva exigida por uma base militar. A equipe discutiu as cenas e os temas do filme, incluindo a participação dos homens nessas conversas.

A construção dos personagens masculinos procurou evitar divisões simples entre bons e maus. Lázaro Ramos, Gero Camilo e Antonio Calloni estão entre os atores que interpretam integrantes da estação. Para Leandra, o desafio era criar homens reconhecíveis, capazes de parecer próximos do público e, ao mesmo tempo, envolvidos em um ato de violência.

A direção de Safadi parte de um roteiro escrito por Jouvin, cuja história foi desenvolvida antes da chegada do diretor. Andrea Beltrão defende que a discussão sobre violência de gênero não deve ficar restrita às mulheres. No filme, a investigação de Elisabeth expõe como uma comunidade reage quando seus integrantes precisam continuar trabalhando, comendo e dormindo no mesmo espaço depois que a confiança é rompida.

A paisagem, portanto, não funciona apenas como cenário. O espaço amplo da Antártida contrasta com a impossibilidade de fuga e prolonga a convivência entre vítima, suspeitos e testemunhas. A investigação avança dentro de uma comunidade que precisa seguir funcionando, mesmo sem respostas simples.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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