TORONTO — A experiência de interpretar uma mulher diagnosticada com Parkinson deixou marcas em Laura Linney. Em entrevista durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto, a atriz afirmou que o drama “Onwards and Sideways” continuou presente mesmo depois do fim das filmagens.
“Saí do filme como uma pessoa diferente. Fiquei muito abalada... no bom sentido”, disse Linney. Dirigido por John Madden, o longa acompanha Emma, personagem de Linney, e Tony, vivido por Rhys Ifans. Os dois recebem o diagnóstico no mesmo dia, de um neurologista que prevê cinco bons anos para eles.
A trama se concentra no encontro entre os personagens e nos efeitos dessa relação diante da doença. Madden explicou que a proposta não era oferecer uma lição sobre o Parkinson, mas observar o que acontece com aquelas duas pessoas depois do diagnóstico.
Uma história com humor
O diretor contou que recebeu o roteiro de Paul Mayhew-Archer anos atrás, mas inicialmente desistiu do projeto depois que alguém próximo a seu círculo foi diagnosticado. Quando voltou a ler o material mais tarde, decidiu seguir adiante. Mayhew-Archer, que também participa da produção e vive com Parkinson, escreveu a história a partir da própria experiência.
Para ele, uma doença grave não precisa ser retratada apenas com seriedade. O filme combina drama e humor, enquanto acompanha as mudanças na vida dos personagens. Mayhew-Archer também é um dos apresentadores do podcast “Movers and Shakers”, dedicado ao cotidiano do Parkinson.
A produção também alterou a percepção de Ifans sobre o papel. Ele interpreta um professor de escola que, diferentemente de Emma, esconde o diagnóstico. O ator disse que a experiência o tornou mais consciente da própria sensibilidade.
Linney e Ifans enfrentaram ainda desafios físicos para mostrar a transformação corporal dos personagens ao longo dos anos. Segundo os atores, havia a responsabilidade de representar pessoas diagnosticadas com Parkinson de maneira adequada e respeitosa.
Mayhew-Archer espera que o filme ajude a dar confiança e força a quem vive com a doença — e que essas pessoas também possam rir.








