Um acorde emprestado de outro modo musical ajudaria a reconhecer o som do Angra, mesmo quando o ouvinte não sabe explicar por quê. A avaliação é do guitarrista Marcelo Barbosa, que identificou a repetição desse recurso em pelo menos três músicas de cada álbum da banda.
A explicação foi dada no programa Além da Ciência, apresentado por Sérgio Sacani, durante uma conversa sobre o que uma inteligência artificial teria de compreender para criar uma composição com características do grupo. Para Barbosa, a sonoridade do Angra também depende da combinação entre música brasileira, música clássica, heavy metal e rock progressivo.
“Tem algumas sequências harmônicas, ou acordes específicos, que aparecem em muitas músicas e que não são comuns no heavy metal”, afirmou o guitarrista. Ele associou parte desses hábitos de composição a Andre Matos e Rafael Bittencourt.
A harmonia por trás do efeito
Barbosa explicou o mecanismo a partir do tom de ré menor. Pela regra, o segundo acorde seria um mi meio diminuto. Nas músicas do Angra, porém, aparece com frequência um mi bemol maior, situado meio tom abaixo. Esse acorde vem do modo frígio e funciona como um empréstimo modal, quando uma composição utiliza um acorde de outra escala para modificar a cor da harmonia.
“Cada disco tem pelo menos umas três músicas que têm esse acorde, e ele é bem Angra”, disse Barbosa. Segundo ele, o recurso produz uma resolução retardada: a música parece se encaminhar para um ponto, mas chega primeiro a outro lugar próximo antes de concluir o movimento.
O guitarrista contou que Rafael Bittencourt já comentou o quanto essa repetição pode incomodá-lo, embora considere o resultado bonito. Para Barbosa, o uso do acorde surgiu naturalmente, influenciado pela formação acadêmica de Rafael e pelo domínio de harmonias ligadas ao jazz e à música brasileira.
Alírio Netto acrescentou que as composições do Angra mantêm uma característica comum quando são levadas ao piano ou ao violão: as harmonias continuam tocáveis, independentemente da velocidade das músicas.







