A turnê de Roger Waters ofereceu a Eric Clapton uma experiência incomum: ocupar uma posição de apoio depois de décadas como um dos nomes centrais da guitarra. Em 1984, o músico entrou na banda do ex-integrante do Pink Floyd, apesar da resistência de seu empresário, Roger Forrester.
A decisão também teve um motivo pessoal. Ao lembrar a escolha, Clapton afirmou: “Era a desculpa perfeita para fugir dos meus problemas em casa”.
Do estúdio para a estrada
A parceria começou nas gravações de “The Pros and Cons of Hitch Hiking”, primeiro álbum solo de Waters. Clapton participou do disco e gostou da experiência a ponto de sugerir, em tom de brincadeira, que o material fosse levado aos palcos. Waters transformou a ideia em convite, e o guitarrista aceitou integrar a turnê.
Forrester não aprovava a possibilidade de Clapton atuar como músico de apoio. Mesmo assim, autorizou que o guitarrista fosse “emprestado” a Waters durante aquele período.
A posição permitia a Clapton uma função diferente da que havia exercido em trabalhos anteriores. Sem a responsabilidade de conduzir o show, ele podia se concentrar em tocar, acompanhar as músicas e deixar que Waters comandasse a narrativa e a produção visual.
Uma estrutura distante do blues
A turnê percorreu a Europa e os Estados Unidos com um formato rígido, no qual as projeções e a música se combinavam para contar a história do álbum. Clapton descreveu Waters como alguém muito ligado a essa estrutura, distante das experiências mais livres e marcadas pelo blues que haviam atravessado boa parte de sua carreira.
A colaboração ficou restrita àquele período. Depois, Clapton retomou sua carreira solo com discos como “Behind the Sun”, “August” e “Journeyman”, lançado no fim da década. A passagem pela banda de Waters marcou um momento em que o guitarrista escolheu ficar alguns passos atrás para tocar a música de outra pessoa.







