MILWAUKEE — A passagem do Rush pela cidade reservou a Geddy Lee uma oportunidade que ele continuou tratando como um privilégio: assistir a Jaco Pastorius no palco. O Weather Report se apresentou no mesmo teatro em que a banda tocaria na noite seguinte, e Lee foi ao show com os companheiros.
A lembrança começou antes, quando Heavy Weather, álbum do Weather Report, foi colocado para tocar durante uma turnê. A descoberta do baixista provocou uma reação imediata em Geddy: “Meu Deus, quem é esse baixista?” A apresentação em Milwaukee ampliou a impressão causada pelo disco.
Um baixista impossível de ignorar
Para Lee, o impacto de Pastorius não estava apenas no domínio técnico. A maneira física e visual de tocar também fazia diferença, assim como a disposição para ocupar o centro das atenções quando a música permitia. “Ele realmente era um músico que aparece uma vez na vida”, afirmou.
Geddy descreveu o show como uma experiência impossível de reproduzir e chamou Jaco de incrível, bizarro e histriônico. Na avaliação do músico do Rush, as gravações não davam conta de registrar completamente aquela presença de palco.
Entre o rock e o jazz-rock
A admiração por Pastorius não mudou a formação essencialmente roqueira de Lee. Em entrevista à Guitar Player, em 1980, ele citou Jaco entre os baixistas que ouvia, ao lado de Chris Squire, Jeff Berlin e Percy Jones. O ponto em comum entre eles era a capacidade de fazer a ponte entre universos diferentes.
Lee também reconhecia essa abordagem em músicos como Jack Bruce e John Entwistle. Para ele, o baixo podia funcionar como uma voz independente, e não apenas como sustentação da banda.
Ao lembrar seus baixistas favoritos anos depois, Geddy manteve a memória daquela noite associada à gratidão por ter visto Pastorius de perto. A experiência não significou uma tentativa de tocar como Jaco, mas o contato com um músico cuja atuação, na visão de Lee, não poderia ser repetida da mesma forma.








