Kurt Cobain dizia que a ironia política fazia parte de sua trajetória muito antes da fama. Em entrevista de 1993, o vocalista do Nirvana lembrou que pichava paredes desde os 17 anos e citou mensagens contra o machismo, o racismo e sobre a Bósnia. Entre seus slogans, estavam “Nixon matou Hendrix” e “Deus é gay”.
O músico afirmou que não pretendia transformar o palco em um espetáculo chamativo ou adotar a mesma abordagem do U2. Para Cobain, a banda irlandesa havia levado o sarcasmo sobre o rock a um ponto que comprometia a seriedade da música. “Eu ainda sou um fã de música séria”, declarou.
A crítica ao U2
A avaliação apareceu num momento em que os dois grupos tinham grande alcance. Em 1991, o U2 lançou Achtung Baby, marcado pela reinvenção na música eletrônica, enquanto o Nirvana ampliou sua projeção com Nevermind. As bandas mantinham propostas diferentes: o Nirvana preservava referências do punk rock mesmo no sucesso mainstream, e o U2 trocava a postura messiânica por cinismo e deboche, inclusive em relação à própria imagem.
Em 1993, o U2 continuou essa fase experimental com Zooropa. No mesmo período, o Nirvana lançou In Utero, que se tornou seu último álbum de estúdio. Os dois grupos faziam turnês, apareciam com frequência na MTV e vendiam milhões de discos, mas Cobain não via proximidade entre suas escolhas artísticas.
“Em Aberdeen [cidade onde cresci], esse último foi forte o suficiente para as autoridades cobrirem com tinta no dia seguinte”, contou o cantor, referindo-se à frase “Deus é gay”. Segundo ele, a situação acabou influenciando a letra de “Stay Away”, faixa de Nevermind.








