O Led Zeppelin chegou ao topo de uma votação da Melody Maker em setembro de 1970, superando os Beatles depois de oito anos consecutivos de liderança. O resultado também reconheceu Robert Plant como melhor vocalista masculino e marcou a primeira vez, desde a ascensão do quarteto de Liverpool, que outro nome ocupava aquele posto.
A mudança ganhou forma pública quando Plant e John Bonham participaram de uma rara aparição televisiva na BBC. Ray Coleman, editor da Melody Maker, avaliou que o público começava a deixar em segundo plano a obsessão por personalidades e celebridades para se concentrar nas bandas novas e no trabalho dos músicos.
Bonham relacionou a premiação a uma transformação mais ampla entre os jovens. Questionado sobre a possibilidade de o Led Zeppelin durar tanto quanto os Beatles, afirmou: “Acho que tudo está mudando. Esse é o ponto principal. É por isso que os prêmios estão mudando, porque os jovens estão mudando e a música também.”
O peso das paradas
O baterista também comparou a nova atitude do público com sua própria experiência como fã. “Quando fui ver os Beatles, era só para olhar para eles. Ninguém se importava com o que eles estavam tocando”, disse. Na avaliação dele, os espectadores começavam a frequentar os shows também para ouvir o que os músicos faziam no palco.
Os resultados comerciais ajudavam a explicar a ascensão. Em janeiro daquele ano, Led Zeppelin II tirou Abbey Road do primeiro lugar das paradas americanas. Ao mesmo tempo, o grupo avançava em uma sequência de grandes turnês pelos Estados Unidos.
A votação não definia de maneira absoluta qual banda era maior. Os Beatles já tinham transformado a música popular e estavam praticamente encerrados como grupo. Ainda assim, o resultado carregou um peso simbólico: após oito anos, o posto passou para uma banda associada ao rock que entrava nos anos setenta.







