O álbum de Flash Gordon foi pensado pelo Queen como uma experiência sonora capaz de reconstruir a aventura do filme. Em vez de apenas entregar canções para algumas cenas, a banda produziu boa parte da música incidental e reuniu faixas instrumentais, diálogos e efeitos sonoros na edição lançada em 1980.
Brian May explicou que a intenção era fazer o ouvinte se sentir diante do longa apenas ao escutar o disco. “Nós trouxemos todos os diálogos e efeitos e costuramos tudo como uma tapeçaria”, afirmou. A proposta ampliava o papel do grupo na produção e transformava o álbum em uma espécie de extensão da obra cinematográfica.
A ideia, porém, encontrou resistência na primeira apresentação do material. O diretor Mike Hodges reagiu com entusiasmo, mas o produtor Dino De Laurentiis não demonstrou a mesma disposição. Quando ouviu o tema escrito por May, respondeu: “É muito bom, mas não é para o meu filme”.
Roger Taylor resumiu a ambição do projeto como a tentativa de criar a primeira trilha de rock and roll para um filme que não fosse sobre música. Para May, o estranhamento de De Laurentiis estava ligado ao risco de uma proposta ainda pouco explorada no cinema. “Acho que nunca tinha existido um longa-metragem com música de fundo feita por uma banda de rock. Era uma mudança realmente perigosa. Nunca tinha sido feito”, lembrou.
A reação inicial deixou o Queen desanimado, enquanto Hodges continuava defendendo a proposta. De Laurentiis acabou cedendo e passou a apoiar o trabalho. O resultado incluiu, além das composições instrumentais e dos elementos do filme, canções como “Flash” e “The Hero”.
Décadas depois, “Flash” se tornou uma das músicas mais reconhecíveis do Queen. A faixa que quase não entrou no projeto por não convencer o produtor na primeira audição acabou associada de forma marcante à trilha de Flash Gordon.







