CUNHA — A cidade paulista reúne o maior grupo de artesãos de cerâmica de alta temperatura da América do Sul. Espalhados pelas montanhas, ateliês e fornos do tipo noborigama transformaram o município em destino de turismo cultural.
A história desse polo começou na década de 1970, quando um grupo de ceramistas escolheu a tranquilidade da serra para produzir. A presença de argila de boa qualidade e de madeira para alimentar os fornos contribuiu para consolidar Cunha como berço da técnica no Brasil.
Fornos e peças únicas
Os fornos chegam a 1.300°C. O calor derrete os esmaltes naturais sobre vasos, pratos e outros objetos, criando variações de cores e texturas que não aparecem na produção industrial. As peças queimadas nesse processo também podem ir ao forno e ao micro-ondas sem trincar o acabamento.
Na queima tradicional, os fornos são construídos em câmaras de degraus, instaladas em barrancos de terra. A lenha mantém o fogo por dias, enquanto a equipe acompanha a temperatura. A cinza sobe e se deposita sobre as louças sem esmalte, formando uma vitrificação natural. Por isso, cada objeto sai com um desenho próprio, diferente dos demais.
Quem visita os ateliês pode acompanhar a abertura pública dos fornos, com peças que passam por mais de 30 horas seguidas de queima, além de ver os artesãos moldando a argila em tornos manuais. Os espaços também oferecem pratos, xícaras e vasos decorativos, além de jardins e estruturas com vista para a Serra do Mar.
O passeio permite conversar diretamente com os donos das oficinas e conhecer as etapas de criação. Restaurantes das capitais encomendam louças produzidas na cidade, enquanto os visitantes encontram opções de hospedagem, trilhas e gastronomia da roça.
A procura aumenta durante os festivais de inverno, quando o frio da serra combina com café servido nas xícaras de barro locais. Em outubro, a programação inclui a festa do pião e eventos dedicados à cultura da cerâmica. Para aproveitar a região, a recomendação é buscar hospedagem com antecedência.







