RONDONÓPOLIS — Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, está ampliando o processamento de grãos dentro do próprio município. Duas indústrias somam cerca de R$ 4,7 bilhões em investimentos e devem transformar soja e milho em produtos como farelo, óleo, etanol e ingrediente para ração animal.
A COFCO planeja investir mais de R$ 2 bilhões na ampliação da fábrica instalada junto ao terminal ferroviário. A unidade deve elevar o esmagamento de soja de 4.500 para cerca de 10 mil toneladas por dia. A obra está prevista para o começo de 2028, conforme informações da Prefeitura de Rondonópolis.
Na produção de etanol, a Inpasa constrói uma biorrefinaria de R$ 2,77 bilhões às margens da BR-163. A estrutura terá capacidade para processar 2 milhões de toneladas de grãos por ano e produzir 1 bilhão de litros de etanol, além de óleo vegetal e ingrediente para ração animal. A operação está prevista para o primeiro trimestre de 2027. A prefeitura considera o projeto o maior investimento privado da história do município.
Da lavoura ao trilho
A conexão ferroviária é central para a atividade econômica local. O Terminal de Rondonópolis (TRO), administrado pela Rumo Logística, é apontado como o maior terminal de grãos da América Latina. No auge da safra, recebe até 2 mil caminhões por dia, conta com 15 moegas de descarga e pode carregar três trens ao mesmo tempo.
A carga chega das áreas agrícolas e segue pela ferrovia até o Porto de Santos. O terminal fica no cruzamento da BR-163 com a BR-364 e é o ponto final da malha ferroviária que desce em direção ao litoral paulista. A Rumo trabalha para estender os trilhos por 740 km até Lucas do Rio Verde, reduzindo o trecho percorrido por caminhões a partir das fazendas do norte de Mato Grosso.
Passeios além da logística
Quem visita Rondonópolis encontra também atrações culturais, áreas verdes e opções de turismo rural. O Casario reúne 24 casas de adobe e alvenaria. A primeira foi construída em 1930, e o conjunto hoje funciona como espaço aberto para eventos culturais.
O Parque de Exposições é sede da Exposul, feira agropecuária que a prefeitura aponta como a maior do interior do estado, com shows de artistas locais e nacionais. Já o Parque das Águas tem quadras de areia e pistas de skate às margens do Rio Vermelho.
Perto do centro, o Horto Florestal oferece trilhas para caminhada e áreas de recreação. No Complexo Turístico do Carimã, um circuito rural reúne nove quedas d’água para banho e é administrado por moradores da região. A Cidade de Pedra, no Parque Ecológico João Basso, concentra formações rochosas em uma área de preservação cortada por rios e cachoeiras.
Calor e duas estações
O clima de Rondonópolis é tropical, com calor durante todo o ano. As chuvas fortes se concentram entre novembro e março, enquanto a seca predomina entre maio e setembro. Em julho, a média de chuva é de 7 mm. As condições podem mudar de um ano para outro pela influência de fenômenos como El Niño e La Niña, por isso a previsão atualizada deve ser consultada antes da viagem.
A cidade passou a ocupar um novo lugar na rota dos grãos: além de receber a produção agrícola e encaminhá-la pela ferrovia, começa a manter parte dela no município para transformar a carga em produtos industriais.







