Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (CPMI do INSS), apresentou o programa Brasil Notícias, da Rede Super de Televisão, em abril de 2021. Naquele momento, ele já era senador. A emissora pertence à Igreja da Lagoinha, instituição à qual o parlamentar é acusado de oferecer proteção durante as investigações do Congresso.
A ligação profissional veio à tona enquanto são analisados repasses de emendas parlamentares para a Fundação Oásis, braço social da Igreja da Lagoinha. O total destinado por Viana chegou a R$ 3,6 milhões. Em 19 de março, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu explicações sobre os valores.
Na decisão, Dino determinou o envio de um ofício ao senador e a intimação do Senado Federal, por meio de seu Advogado-Geral, para que os envolvidos se manifestassem em cinco dias úteis. A medida respondeu a um pedido dos deputados federais Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) e Rogério Correia (PT-MG).
O primeiro repasse identificado ocorreu em 2019, quando Viana destinou uma emenda de R$ 1,5 milhão à Prefeitura de Belo Horizonte, com indicação para a Fundação Oásis. Criada em 18 de outubro de 1995, a entidade também recebeu R$ 1,47 milhão em 2023 e R$ 650,9 mil em 2025. Esses recursos foram direcionados à Fundação Oásis de Capim Branco, filial localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Durante uma sessão da CPMI do INSS em 18 de março, Viana defendeu os repasses. “Vou continuar doando”, declarou, ao afirmar que a fundação gasta R$ 10 milhões por ano na recuperação de pessoas moradoras de rua e dependentes químicos.
Suspeitas analisadas pela CPMI
A Igreja da Lagoinha é liderada pelo pastor André Valadão e tem ligação com o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado e apontado como suposto operador financeiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os dois estão presos.
A CPMI do INSS também investiga suspeitas relacionadas à Clava Forte Bank, fintech ligada à igreja. Representantes da instituição e da Igreja da Lagoinha não chegaram a ser convocados para depor.
O colegiado passou a suspeitar de possível envolvimento da igreja depois de informações sobre o empresário Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios. Ele teria patrocinado um evento de Réveillon promovido pela entidade religiosa no Allianz Parque, do Palmeiras, em 2024.
Viana negou conflito de interesses por ter exercido simultaneamente os cargos de senador e apresentador. Em nota, afirmou que é jornalista de formação, trabalhou por mais de 23 anos em emissoras de televisão e rádio e que sua participação na Rede Super ocorreu no exercício da atividade profissional, sem relação com o mandato ou com a destinação de recursos públicos. “Não há qualquer irregularidade ou conflito de interesse”, declarou.







