Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
A cultura que acontece
Brasil

Flávio tenta se apresentar como moderado, mas enfrenta pressão por denúncias antigas

A campanha presidencial do senador busca se afastar da imagem do pai, enquanto enfrenta o caso Vorcaro, suspeitas de rachadinha e vínculos com milicianos.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A campanha de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto tenta apresentar o senador como uma versão mais moderada do pai, Jair Bolsonaro. A estratégia ganhou força nas redes sociais, mas passou a enfrentar novas dificuldades após a divulgação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro e diante de antigas acusações de rachadinha e vínculos com milicianos.

Flávio foi escolhido pelo pai para disputar a Presidência pelo PL em dezembro. Desde então, subiu nas intenções de voto e aparece empatado com Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, conforme o agregador de pesquisas citado no levantamento.

Em um vídeo publicado em abril, Fernanda, mulher do senador, afirma que ele é um “Bolsonaro moderado” e diz ter “reeducado” o marido. No mesmo conteúdo, Flávio se apresenta como “o Bolsonaro que tomou vacina”, numa tentativa de se diferenciar da postura do ex-presidente durante a pandemia de covid-19.

A estratégia também aparece em publicações sobre temas como Carnaval, feminicídio, creches e direitos das mulheres. Em fevereiro, o senador divulgou um vídeo destacando a importância econômica da festa. No Dia da Mulher, em 8 de março, mencionou Berta Lutz, Antonieta de Barros e Maria da Penha.

O caso Vorcaro e o discurso de moderação

A tentativa de suavizar sua imagem sofreu um revés com a revelação de que Flávio manteve conversas com Vorcaro para cobrar aportes destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. O banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões no ano passado, enquanto o acordo total chegaria a R$ 134 milhões.

Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada com potencial para atingir altas autoridades. Flávio nega qualquer ilegalidade e afirma que buscava patrocínio privado para uma produção sobre o próprio pai. “Não ofereci vantagens em troca”, disse o senador em nota.

Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o episódio dificulta o esforço para reduzir a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro e às acusações de corrupção. Na avaliação dele, a situação representa um “balde de água fria” na construção dessa imagem.

O PT também tenta desmontar a ideia de um Bolsonaro moderado. Um vídeo divulgado pelo deputado Lindbergh Farias acusa Flávio de ser de extrema-direita e cita declarações sobre a possibilidade de uso da força para garantir anistia ou indulto a Jair Bolsonaro, caso o Supremo Tribunal Federal considere a medida inconstitucional.

As pesquisas e a disputa pelo eleitorado

Dentro da pré-campanha, a avaliação é que a nova mensagem ajudou Flávio a crescer entre jovens, integrantes da classe média e mulheres. Entre dezembro e maio, ele avançou nove pontos percentuais entre eleitores de 16 a 34 anos, chegando a 45%, contra 38% de Lula.

Na faixa de renda entre 2 e 5 salários-mínimos, o senador chegou a 44%, diante de 40% do atual presidente. Entre as mulheres, passou de 31% para 36%, mas continuou atrás de Lula, que marcou 45% no levantamento de maio.

A senadora Damares Alves afirma que Flávio não tenta ser uma versão moderada do pai, mas que ele próprio teria esse perfil. Ela atribui a subida nas pesquisas ao sentimento antipetista de parte do eleitorado e à frustração com o desempenho econômico do governo Lula.

No fim de abril, Flávio apareceu conversando com Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, durante a sessão que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF. Depois, comemorou o resultado e afirmou que o governo Lula havia acabado. A vereadora Janaína Paschoal criticou sua postura e disse que ele não era moderado, mas fraco.

Sanches estima que exista uma parcela de 10% a 12% do eleitorado sem alinhamento automático com os polos da disputa. Esse grupo, segundo ele, pode decidir o voto apenas na reta final e não necessariamente transformará uma intenção momentânea em apoio definitivo.

Rachadinha e relações com milicianos

As denúncias mais antigas remontam ao período em que Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro, entre 2003 e 2018. O Ministério Público apontou suspeitas de desvio de verba parlamentar, compra de imóveis com dinheiro vivo e existência de funcionários fantasmas no gabinete.

O caso veio à tona após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificar movimentações milionárias na conta de Fabrício Queiroz, então chefe de gabinete do parlamentar. Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões. Pelo menos R$ 2 milhões teriam chegado à conta de Queiroz, e outros R$ 2 milhões teriam sido disponibilizados por meio de saques em espécie.

A denúncia também apontou depósitos fracionados na conta de Flávio e de sua mulher, além do pagamento, em dinheiro vivo, de 169 boletos referentes à escola das filhas do senador e ao plano de saúde da família. Os pagamentos somaram R$ 247 mil.

Flávio nega as acusações e afirma que Queiroz administrava recursos para contratar informalmente pessoas que atuavam em atividades de apoio ao mandato. O caso foi paralisado por decisões judiciais, e o Ministério Público do Rio de Janeiro informou que a investigação foi encerrada após decisão do ministro Gilmar Mendes, em fevereiro de 2025.

Também são questionados os vínculos de Flávio com Adriano da Nóbrega, ex-policial militar acusado de atuar como miliciano e de chefiar o Escritório do Crime. A mãe e a então mulher de Adriano trabalharam no gabinete do senador, que ainda homenageou o ex-policial em 2003 e 2005.

Flávio afirma que não conhecia as acusações criminais contra Adriano quando fez as homenagens. Em entrevista ao programa Roda Viva, em 2024, disse: “Eu não defendo milícia. Nunca defendi que haja um poder paralelo para extorquir trabalhador em comunidades carentes”.

O senador Marcelo Freixo afirma que Flávio coordenava articulações da família Bolsonaro no Rio de Janeiro e representava o mesmo projeto político do pai. Aliados do senador, como Damares Alves e Rogério Marinho, minimizam as acusações e dizem que não há base concreta contra ele.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5