Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Investigação rastreia milhões ligados ao financiamento de Dark Horse

Recursos passaram por empresas, um fundo nos Estados Unidos e emendas parlamentares; origem e destino do dinheiro ainda são apurados.

Nacional - Quanto dinheiro passou por Dark Horse? Família Bolsonaro inovou nas formas de arrecadação com o filme

As investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme produzido para contar a trajetória de Jair Bolsonaro, rastreiam recursos enviados ao exterior, depósitos diretos na produtora e verbas de emendas parlamentares. A obra ainda não estreou, e não há uma conclusão sobre quanto dinheiro foi efetivamente captado ou sobre a origem de todos os valores.

A Go Up Entertainment afirma, com base em perícia privada apresentada pela defesa, que a produção custou US$ 13,4 milhões, cerca de R$ 75 milhões. O documento sustenta que o custo teria sido bancado pelo fundo norte-americano Havengate, mas não identifica nominalmente todos os financiadores.

Repasse para fundo nos Estados Unidos

A terceira fase da Operação Carbono Oculto, chamada Crédito Oculto, abriu uma nova frente no caso. A Polícia Federal aponta a Entre Investimentos como intermediária de recursos enviados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ao Havengate Development Fund, ligado ao financiamento do filme.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a Entre recebia dinheiro do Banco Master e de grupos ligados ao crime organizado. Questionado sobre a possibilidade de a mesma estrutura ter fornecido liquidez às operações relacionadas ao filme, ele afirmou que “tudo indica que sim”, mas disse que a investigação precisa identificar a origem de cada recurso.

Flávio Bolsonaro já confirmou que procurou Vorcaro para buscar patrocínio privado para a produção. As investigações indicam que o valor inicialmente negociado chegou a US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões na época. Vorcaro teria destinado US$ 12,33 milhões ao projeto, em transferências feitas pela Entre ao fundo nos Estados Unidos.

Flávio depois afirmou que o investimento associado ao ex-controlador do Banco Master ficou em “12 milhões e alguma coisa de dólares”. Esse montante se aproxima do custo total informado pela Go Up.

Depósitos na conta da produtora

Documentos analisados pela Polícia Federal e pelo Coaf registram aproximadamente R$ 8,95 milhões em créditos recebidos diretamente pela Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Os principais remetentes foram Moneycorp Banco de Câmbio, com R$ 3,92 milhões; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,61 milhões; Marcello de Oliveira Lopes, com R$ 1 milhão; NTT Brasil, com R$ 750 mil; e Mário Frias, com R$ 645,4 mil.

Os valores não necessariamente correspondem a fontes independentes. A Moneycorp atua no mercado de câmbio, e parte do montante pode estar relacionada à conversão de recursos estrangeiros. A GO7 é controlada por Karina Gama, que também controla a Go Up, o que caracteriza uma transferência entre empresas relacionadas.

Marcello Lopes, ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, disse que o R$ 1 milhão foi um investimento privado feito com recursos próprios. A Polícia Federal não atribuiu irregularidade específica ao pagamento.

Emendas parlamentares sob análise

A Polícia Federal investiga R$ 2 milhões em emendas destinadas por Mário Frias a entidades comandadas por Karina Gama. Frias é produtor-executivo e um dos roteiristas de Dark Horse.

Relatórios da Controladoria-Geral da União apontaram problemas na execução dos projetos financiados pelas emendas. Em uma das linhas examinadas, R$ 700 mil recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil foram repassados à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. Depois, a NTT Brasil, ligada ao mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil para a Go Up.

A investigação tenta verificar se o dinheiro público circulou entre as empresas até alcançar a produção. Até o momento, porém, não concluiu que os R$ 700 mil das emendas sejam os mesmos R$ 750 mil depositados na conta da produtora.

O ministro Flávio Dino mencionou indícios, ainda no “terreno hipotético da investigação”, de que Frias teria papel de liderança na suposta estrutura de desvio de emendas. O deputado nega irregularidades e afirma que os recursos foram destinados a projetos sociais. Ele também transferiu R$ 645,4 mil de sua conta para a produtora, pagamento cuja compatibilidade com os rendimentos declarados é questionada pela Polícia Federal.

Orientações sobre remessas aos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro aparece nos documentos por ter apresentado orientações sobre a administração dos recursos destinados ao filme nos Estados Unidos. Em mensagens atribuídas a ele, o então deputado defendeu o envio da maior quantidade possível de dinheiro pelo modelo de remessas utilizado.

O Havengate foi criado por Paulo Calixto e Altieris Santana. Calixto é advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal também registrou que o fundo, originalmente voltado a operações imobiliárias e praticamente inativo, passou a receber recursos em fevereiro de 2025.

As informações públicas não permitem afirmar que o dinheiro formalmente destinado ao filme tenha sido usado em despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro ou de familiares.

A soma dos valores ainda não pode ser feita de maneira direta, porque algumas operações podem representar etapas diferentes da circulação do mesmo recurso. As investigações buscam esclarecer quem financiou o projeto, quanto foi arrecadado, por quais estruturas o dinheiro passou e qual foi seu destino. Também permanecem sem resposta perguntas sobre eventual uso de recursos captados para atividades políticas, impulsionamento de conteúdo ou despesas que deveriam ser declaradas como gastos eleitorais.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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