Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Instituto ligado a filme sobre Bolsonaro teve tesoureiro que diz nunca ter atuado

Documentos indicam divergências em assinaturas de atas; organização também é alvo de investigações sobre contratos e recursos públicos.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, teve um tesoureiro-geral que afirma nunca ter participado da entidade durante o período em que seu nome aparece no cargo. Documentos também mostram divergências entre assinaturas atribuídas a conselheiros em atas do instituto e em outros registros oficiais.

Jacio de Medeiros Dantas, eletricista de 64 anos, consta como tesoureiro-geral do ICB em gestões entre 2014 e 2021. O nome dele também aparece como secretário de assembleias e em listas de presença de reuniões. Ao ser procurado, porém, Dantas negou ter atuado na organização.

“Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB]. Até porque eu tenho outro trabalho. Eu sou autônomo, trabalho na área elétrica. Eu não tinha tempo para fazer nada”, afirmou.

Dantas disse que emprestou o nome a pedido da mãe de Karina, Regina Ferreira da Gama de Nazaré. Segundo ele, Karina estava montando uma ONG para um projeto de dança e precisava indicar pessoas para diferentes funções. O eletricista afirmou ainda que não participou de assembleias ou reuniões do instituto.

Diferenças nas atas

As assinaturas atribuídas a Dantas mudam entre documentos do próprio ICB. Na ata de 29 de setembro de 2014, ele aparece como secretário da assembleia que elegeu Karina para a presidência e também assina a lista de presença como tesoureiro-geral. Em 2015, consta como tesoureiro em uma reforma do estatuto.

Essas rubricas são diferentes das que aparecem em uma ata de 2 de outubro de 2017, referente a outra reforma estatutária, e na carta de renúncia ao cargo, em janeiro de 2020. Depois de receber imagens dos documentos, Dantas afirmou que não reconhecia nenhuma das duas assinaturas apresentadas.

A comparação com documentos de um processo judicial do qual ele participa indicou semelhanças entre sua assinatura oficial e as rubricas da ata de setembro de 2014 e da reforma de 2015. Já as assinaturas atribuídas a ele nos documentos de 2017 e 2020 são distintas.

A ata de outubro de 2017 também apresenta divergências em assinaturas atribuídas a Rafael Tadeu da Silva Santanna e Karina Pereira Penha. Santanna teria ocupado a secretaria-geral entre 2014 e 2017. A assinatura dele no documento de 2017 não coincide com a que aparece na ata de 2014 nem com duas rubricas localizadas em um processo judicial.

Penha teria assumido a secretaria-geral após a saída de Santanna. A assinatura atribuída a ela na ata de 2017 não coincide com a de uma procuração assinada em janeiro de 2023.

Santanna disse que ficou surpreso com as divergências e afirmou não se lembrar de ter assinado atas ou documentos. Ele recebeu imagens das rubricas, mas não respondeu depois do envio. Penha confirmou que trabalhou no ICB, mas não respondeu sobre as assinaturas ou sobre o período em que ocupou o cargo.

Contratos e investigações

Em 2024, o ICB firmou com a Prefeitura de São Paulo, na gestão de Ricardo Nunes, do MDB, um contrato de R$ 108 milhões para instalar Wi-Fi público na capital. O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de irregularidades.

A Polícia Federal também investiga um possível desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao instituto. Entre os valores estão R$ 2 milhões enviados pelo deputado federal Mario Frias, do PL, roteirista e produtor-executivo do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro produzida pela empresa de Karina.

O período em que Dantas aparece como responsável pela tesouraria coincide com os anos analisados em uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre recursos recebidos do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (CN-Sesi). Conforme a CGU, o ICB recebeu R$ 11 milhões e pelo menos R$ 2,4 milhões foram superfaturados.

Desde 2014, 12 pessoas passaram por funções como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Esses cargos incluíam atribuições relacionadas à movimentação de recursos e direito de voto em assembleias que elegeram e reconduziram Karina à presidência.

Regina, mãe de Karina, foi vice-presidente do instituto entre setembro de 2014 e setembro de 2017. Entre os demais integrantes mencionados estão um pintor, donos de bares e pequenos comércios de alimentos, sócios de empresas de vidro e esquadrias e profissionais de marketing. O grupo inclui pessoas de diferentes locais do Brasil, com núcleos no Distrito Federal, em São Paulo e em Uberlândia, em Minas Gerais.

O ICB e Karina Ferreira da Gama foram procurados, mas não responderam. O instituto e a empresária não apresentaram esclarecimentos sobre as divergências nas assinaturas até a publicação.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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