Documentos, mensagens e registros bancários indicam que Daniel Vorcaro negociou o repasse de 24 milhões de dólares, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Ao menos 10,6 milhões de dólares, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.
A negociação foi conduzida diretamente pelo senador Flávio Bolsonaro, com participação de Eduardo Bolsonaro e Mario Frias. Os registros analisados incluem cronogramas de pagamento, cobranças sobre parcelas e um comprovante de transferência internacional de 2 milhões de dólares para o Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas, nos Estados Unidos.
Como os pagamentos foram organizados
Segundo as mensagens, os recursos passaram pela Entre Investimentos e Participações e chegaram ao fundo ligado ao projeto cinematográfico. O Grupo Entre negou vínculo societário, de controle ou de governança com Vorcaro e afirmou estar à disposição das autoridades.
O fundo tem como agente legal o escritório do advogado Paulo Calixto, que também representa Eduardo Bolsonaro. Os documentos societários citam ainda o corretor de imóveis Altieris Santana como integrante da estrutura do fundo.
As conversas mostram que o empresário Thiago Miranda aproximou Flávio Bolsonaro e Vorcaro em dezembro de 2024. Depois, o banqueiro passou a acompanhar os repasses e a tratar o financiamento do filme como prioridade. Em uma mensagem, Vorcaro determinou: “Nao pode falhar mais”.
O material também registra a atuação de Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro. Em fevereiro de 2025, ele relatou dificuldades para realizar a remessa internacional e sugeriu que o pagamento fosse feito por meio da Entre.
Respostas dos envolvidos
Flávio Bolsonaro foi questionado sobre o financiamento e respondeu: “É mentira”. Eduardo Bolsonaro não respondeu aos contatos. A defesa de Vorcaro também não se manifestou.
A defesa de Mario Frias confirmou as conversas com Vorcaro, mas afirmou que elas refletiam a relação entre o idealizador do projeto e um possível apoiador privado. Também negou que o deputado tenha atuado como articulador político ou financeiro e rejeitou o uso do mandato para lobby ou favorecimento empresarial.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava deixar o país. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o Banco Master. O caso envolvia um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito, conforme os registros citados.







