A violência já levou 45% das mulheres a abrir mão de alguma oportunidade de trabalho ou estudo, enquanto 44% chegaram a considerar uma mudança de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras. Os dados fazem parte da pesquisa Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência, feita pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber.
O levantamento ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026. As entrevistas foram digitais e de autopreenchimento, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais. A apresentação ocorre nesta quarta-feira (16), no painel (In)segurança das Mulheres e Mobilidade, do 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Rotina marcada pela insegurança
A pesquisa indica que 94% das mulheres se sentem inseguras diante da violência no cotidiano. Entre os homens, o índice é de 84%. Quando o assunto são os deslocamentos pela cidade, 94% delas e 90% deles afirmam sentir medo.
O receio também aparece em locais de convivência e no transporte. Para 41% das entrevistadas, bares, festas e baladas não oferecem nenhuma sensação de segurança. O mesmo ocorre para 42% delas em pontos de ônibus e estações e para 33% dentro do transporte público. A violência doméstica é temida por seis em cada dez brasileiras.
Ao todo, 78% das mulheres afirmam já ter enfrentado pelo menos um tipo de violência. Para diminuir a exposição, 90% evitam determinados lugares. Também são frequentes atitudes como não publicar dados pessoais ou localização nas redes sociais (88%), não usar o celular na rua (84%), avisar alguém sobre horários e deslocamentos (83%) e evitar sair à noite (83%).
Outras medidas citadas são deixar de acessar aplicativos bancários na rua (80%), enviar a localização a pessoas de confiança (77%), mudar caminhos habituais (69%), chamar carro ou moto por aplicativo para não caminhar (66%) e pedir companhia ao sair de casa (66%).
Lazer, proteção e decisões políticas
O medo alterou os hábitos de lazer de 62% das mulheres, e 58% deixaram de ir a lugares de que gostavam. Além disso, 56% já escolheram algum meio de transporte em vez de caminhar, mesmo em trajetos curtos. Técnicas de defesa pessoal são praticadas ou já foram praticadas por 27%; outros 26% carregam itens como spray de pimenta ou alarme pessoal.
Para 78% das entrevistadas, propostas contra a violência nas ruas e no transporte público terão peso na escolha de voto nas próximas eleições. Entre as medidas consideradas importantes, aparecem ampliar canais de denúncia e apoio (95%), melhorar a infraestrutura urbana, com transporte, iluminação e espaços públicos (93%), criar ou ampliar políticas de proteção às mulheres (93%) e reduzir desigualdades sociais e econômicas (92%).
Na avaliação sobre responsabilidades, as polícias Militar e Civil são citadas por 73%, seguidas pelos governos federal e estadual, ambos com 69%, e pelo governo municipal, com 66%. A percepção sobre o desempenho das instituições, porém, é negativa: os maiores índices estão no Legislativo (74%), no governo estadual (72%), no Poder Judiciário (71%) e no governo federal (71%).








