Estudantes da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) vão realizar uma mobilização na quinta-feira (17) e na sexta (18), com suspensão voluntária da participação nas aulas. O movimento é articulado principalmente pelo coletivo de bolsistas, com adesão de centros acadêmicos e de outros coletivos da universidade.
Na sexta-feira, representantes dos alunos devem se reunir com a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC-SP. A intenção é apresentar as reivindicações e discutir medidas para diferentes áreas da instituição.
Bolsas próprias e Prouni
Os estudantes afirmam que a universidade não alcança 25% de bolsistas na graduação desde a pandemia. Eles cobram que a Fundasp amplie a oferta de bolsas próprias para compensar a redução das bolsas do Prouni, programa do Ministério da Educação (MEC) destinado a estudantes de instituições privadas de ensino superior.
O grupo também compara a quantidade de novas bolsas da PUC-SP com a do Centro Universitário Assunção, igualmente mantido pela Fundasp. Para os alunos, a oferta caiu na PUC-SP enquanto teria crescido na outra instituição.
A fundação contesta essa relação e afirma que o Centro Universitário Assunção tem menos de 10% das bolsas da PUC-SP. Também diz que a oferta do Prouni é definida pelo sistema do programa, considerando informações como o total de alunos de cada instituição.
De acordo com a Fundasp, a PUC-SP recebeu, em 2024 e 2025, o dobro do volume habitual de bolsas por causa de um erro no sistema. O excedente teria sido corrigido pelo próprio programa em 2026. A mantenedora afirma ainda que a universidade tem percentual de bolsistas superior a 22% na graduação, acima da referência de 20% prevista na legislação.
As bolsas próprias, segundo a fundação, seguem critérios semelhantes aos do Prouni e dependem do limite orçamentário. “Se você tem mais alunos pagantes, aí você tem possibilidade de oferecer mais bolsas”, afirmou a entidade.
Renovação dos benefícios
Outro foco da mobilização é o processo de renovação. Os estudantes criticam a quantidade de documentos exigidos e os prazos para entregá-los. Eles também questionam a necessidade de repetir uma comprovação socioeconômica extensa a cada renovação.
O movimento cita a Portaria nº 19, de 2008, do MEC. Segundo os alunos, a norma permite manter a bolsa com a assinatura do termo de atualização do usufruto e exige comprovação de renda em situações específicas de mudança na condição econômica do beneficiário.
A Fundasp afirma que as exigências estão previstas nos editais e que a análise precisa verificar se os candidatos atendem aos requisitos. A entidade diz seguir parâmetros usados por outras universidades e ter baseado os critérios das bolsas de filantropia nas regras do Prouni.
Durante os dois dias, estão previstas sessões de cinema, formação política, trabalhos manuais e produção de cartazes. A mobilização ocorre após semanas de assembleias e outras atividades.
No início de setembro, estudantes protestaram contra a contratação da EducaOpen, plataforma que seria usada no processo de concessão e renovação. Depois da mobilização, a Fundasp informou ter suspendido a contratação e o processo relacionado às bolsas.
Participam da mobilização os centros acadêmicos que estiveram na primeira mesa de negociação, além dos coletivos Saravá e de Bolsistas Da Ponte Pra Cá. Os organizadores também tentaram envolver cursos sem representação formal, mas relataram dificuldades de adesão por falta de organização e pelo fechamento de algumas graduações.






