Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Relatório aponta falta de qualificação entre docentes da rede pública brasileira

OCDE identifica escassez de professores e aponta insatisfação com salários e condições de trabalho no Brasil.

Relatório aponta falta de qualificação entre docentes da rede pública brasileira

Nove por cento dos professores da educação básica pública no Brasil não tinham qualificação completa entre 2024 e 2025, aponta o Panorama da Educação 2026, relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira (29). A média entre os países da organização foi de 9,1%.

A contratação de profissionais sem as qualificações consideradas padrão ocorre frequentemente por causa da escassez de docentes, segundo o estudo. No Brasil, as dificuldades de recrutamento são maiores em áreas remotas ou mais vulneráveis e se concentram especialmente em matemática e ciências naturais.

Quadro docente e projeções

Mesmo com a queda no número de estudantes, o quadro de professores dos anos iniciais do ensino fundamental cresceu no país. Entre 2015 e 2024, houve aumento de 4% no número de docentes, enquanto as matrículas recuaram 7%. Na média dos países da OCDE, a quantidade de professores das escolas primárias públicas e privadas subiu 13%, diante de crescimento de 2% no número de alunos.

A organização projeta uma redução de 3% na quantidade de crianças de 5 a 14 anos no Brasil entre 2024 e 2033. Se outras políticas permanecerem inalteradas, a tendência deve diminuir a demanda por professores.

A saída de profissionais também pesa sobre a escassez. Em 2022, 10,3% dos docentes brasileiros plenamente qualificados deixaram a profissão por aposentadoria ou demissão. A taxa média da OCDE foi de 6,4% no ano letivo de 2024-2025. Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, afirmou que esse indicador não representa necessariamente abandono definitivo da docência, pois parte dos profissionais pode ter migrado para escolas privadas. Para ele, o dado é um desafio para a permanência nas redes públicas.

Satisfação e medidas do governo

Entre os professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental, 44,3% estavam satisfeitos com as condições de trabalho em 2022, contra 68,4% na média da OCDE. Em relação aos salários, a satisfação alcançava 22,3% dos docentes no Brasil e 38,7% na média da organização. O relatório também considera fatores como relacionamento com estudantes e famílias, clima escolar, autonomia profissional e reconhecimento público.

O Ministério da Educação cita o Mais Professores para o Brasil, criado em 2025, e o Pé-de-Meia Licenciaturas como medidas para enfrentar a escassez. Segundo o ministro Leonardo Barchini, as matrículas de estudantes de alto desempenho no Enem em cursos de licenciatura cresceram 106% entre 2024 e 2026.

O MEC também menciona o acompanhamento anual da qualidade das licenciaturas pelo Enade, o fortalecimento do Pibid e a reformulação da formação inicial. A OCDE aponta ainda a entrada de profissionais de outras áreas: 11,5% dos docentes brasileiros dos anos finais do ensino fundamental estavam em uma segunda carreira em 2024, acima da média de 8,4% nos países da organização.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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