SÃO PAULO — O desempenho médio dos estudantes dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi o pior já registrado nas três áreas avaliadas pelo Pisa 2025: ciências, leitura e matemática. O Brasil permaneceu praticamente estagnado na última década e segue distante da média da organização.
Realizado a cada três anos, o Pisa avalia estudantes de 15 anos. Em 2025, ciências foi a área de maior destaque. Mais de 760 mil jovens de 15 anos, em 91 países e regiões, fizeram a prova. No Brasil, participaram mais de 30 mil estudantes.
Médias e desempenho brasileiro
Entre os 23 países que integram a OCDE desde o início da avaliação, em 2000, a média foi de 486 pontos em ciências, 466 em leitura e 469 em matemática. Esses resultados representam quedas de 17, 29 e 32 pontos, respectivamente, em relação aos períodos de comparação indicados pelo Pisa. Considerando os 38 países que hoje fazem parte da organização, as médias foram de 482, 461 e 463 pontos.
Uma diferença de 20 pontos equivale à progressão de um ano inteiro de aprendizagem. Nos países da OCDE, 29% dos jovens tiveram desempenho abaixo do esperado nas três áreas, ante 25% em 2022.
No Brasil, a média em ciências foi de 409 pontos, contra 401 em 2015. Em matemática, o resultado ficou em 377 pontos, exatamente o mesmo de dez anos atrás. Em leitura, a média chegou a 408 pontos, um ponto acima do resultado de 2015.
O relatório afirma que a estabilidade brasileira se mantém há mais de uma década e que o país estagnou em um nível baixo. Entre os estudantes brasileiros, 43,8% tiveram desempenho inferior ao esperado nas três áreas, contra 29% na OCDE.
Matemática foi o principal desafio. O Brasil ficou na 71ª colocação entre os países e economias analisados, com 72% dos estudantes abaixo do nível esperado, diante de 35% na OCDE. Em ciências, os percentuais foram de 52% no Brasil e 26% na organização. Em leitura, 51% dos brasileiros ficaram abaixo do esperado, contra 31% na OCDE.
Posições no ranking
Apesar de uma pequena melhora na média de ciências, o Brasil caiu para a 67ª posição, seis lugares abaixo do resultado de 2022. O país ficou atrás de Arábia Saudita, Grécia, Costa Rica e Colômbia.
As províncias chinesas Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, identificadas como B-S-J-Z, lideraram ciências, com 597 pontos, seguidas por Singapura, com 37 pontos a menos. Macau teve 541 pontos, Taipei, 540, e o Japão, 538. Em matemática, B-S-J-Z ficou na liderança, com 612 pontos. Em leitura, Singapura ocupou o primeiro lugar, com 535 pontos.
O Pisa também registrou quedas em tarefas relacionadas a avaliar informações, refletir criticamente e integrar evidências. O relatório aponta aumento de respostas rápidas e incorretas, classificadas como casos de leitura apressada, e relaciona o desempenho em leitura aos resultados de matemática e ciências.








