Outdoors instalados pelo governo de Minas Gerais em cidades do estado passaram a ser questionados por autoridades locais, que contestam a atribuição estadual de obras de saúde financiadas por prefeituras ou por recursos compartilhados entre diferentes níveis de governo.
Em Nova Lima, o parlamentar Dornas afirmou que as unidades mencionadas na publicidade foram construídas com dinheiro municipal. Segundo ele, depois da repercussão das críticas, o outdoor instalado na cidade foi retirado. “O que foi entregue aqui foi feito com recurso da prefeitura, com o dinheiro do povo da nossa cidade”, disse.
Dornas também criticou o uso político das obras. Para ele, ações realizadas pelos municípios não deveriam ser apresentadas como entregas exclusivas do governo estadual.
Dados do Portal da Transparência mostram que o governo estadual retomou obras de 78 Unidades Básicas de Saúde (UBS). Desde 2019, 375 unidades estão em obras ou foram concluídas em Minas Gerais, com investimento superior a R$ 600 milhões. As informações, porém, não impediram os questionamentos sobre como parte dessas iniciativas aparece nas peças publicitárias.
Em Contagem, um outdoor informa que a gestão de Romeu Zema teria entregue três postos de saúde. A prefeitura declarou que, entre 2021 e 2026, apenas a Unidade Básica de Saúde Vila São Paulo recebeu financiamento do antigo PAC Arrudas. O conjunto de obras foi viabilizado por recursos dos governos federal e estadual, além da própria prefeitura.
Outro episódio ocorreu em Itaúna. A deputada estadual Ana Paula Siqueira (Rede) afirmou que um outdoor instalado na cidade anunciava obras executadas, na realidade, em Pará de Minas. A peça foi retirada depois de questionamentos.
Para Ana Paula, os casos envolvem obras com financiamento compartilhado e também ações que não teriam sido realizadas pelo estado. A deputada criticou ainda a transparência na divulgação de dados e na prestação de contas das ações dos dois mandatos de Romeu Zema.
“A população mineira acompanha de perto o que de fato chegou às cidades”, afirmou. Segundo a parlamentar, a Assembleia Legislativa continua acompanhando os gastos públicos e as campanhas institucionais do Executivo. Ela também disse que os resultados da gestão serão avaliados nas urnas.
O governo de Minas foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.







