PORTO SEGURO — A presença do peixe-leão no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora levou Porto Seguro a ampliar o monitoramento e preparar profissionais para a captura segura da espécie. O primeiro registro na unidade ocorreu em 12 de junho; em 10 de setembro, um segundo indivíduo foi confirmado em um ponto de mergulho.
No parque, somente pessoas capacitadas e autorizadas podem retirar os animais. Na última semana, guias, fotógrafos, cinegrafistas e guardas que trabalham diariamente na área receberam treinamento para usar equipamentos de captura e acondicionamento.
A medida faz parte do Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão, publicado em agosto. O documento reúne ações de monitoramento, pesquisa, capacitação, comunicação, captura e integração entre instituições. Também está em vigor um programa temporário que paga R$ 10 por exemplar entregue à colônia de pescadores Z-22.
Incentivo e pesquisa
Em agosto, primeiro mês do programa, 442 peixes-leão foram entregues, conforme a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Os exemplares seguiram para a Universidade Federal do Sul da Bahia, onde passam por triagem, biometria e outros estudos.
A quantidade não corresponde necessariamente ao total de animais retirados do litoral de Porto Seguro. Como os pescadores atuam em pontos diferentes, os peixes entregues vieram de áreas distintas.
O incentivo foi definido em reunião com participação social e pode ser alterado. A prefeitura considera o pagamento uma ação emergencial para mobilizar pescadores, que conhecem os ambientes da região. A captura também fornece material para pesquisas sobre alimentação, habitat e estabelecimento da espécie.
“A ideia não é ficar pagando por indivíduo”, afirma a oceanóloga Martina Rossato, gestora do Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora. Segundo ela, a intenção é criar condições para que o valor econômico do pescado ajude a sustentar a retirada no longo prazo.
Espécie invasora
Nativo da região indo-pacífica, o peixe-leão não tem predadores naturais no litoral brasileiro. A espécie pode pressionar populações nativas e ocupar espaços marinhos. Seus espinhos inoculam uma toxina capaz de provocar dor, vermelhidão, febre e, em situações mais graves, convulsões.
A preocupação é reforçada pela variedade de ambientes do Extremo Sul da Bahia, que inclui áreas recifais, bancos de rodolitos e diferentes espécies de peixes e invertebrados. Porto Seguro fica em uma região de plataforma continental mais extensa, associada aos bancos Royal Charlotte e próxima de Abrolhos.
A estratégia municipal considera que a eliminação do peixe-leão em escala regional não é possível. Por isso, busca manter a pressão de retirada em áreas prioritárias. O município também articula ações com Meio Ambiente, Pesca, Turismo e Saúde, além da universidade, da Colônia Z-22, de operadores de mergulho e de órgãos ambientais.
A prefeitura pretende reduzir gradualmente o pagamento e organizar uma cadeia para beneficiamento, comercialização e consumo do pescado, com protocolos de segurança. Em 2025, antes dos primeiros registros locais, pescadores e mergulhadores já haviam recebido orientações para identificar a espécie, comunicar avistamentos e manipular os animais com cuidado. Municípios do Extremo Sul da Bahia também foram envolvidos na coleta de informações sobre a distribuição e os efeitos do peixe-leão nos ambientes marinhos.








