Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Projeção aponta 451 mil mortes por calor durante o próximo El Niño

Estudo estima 13,3 mil mortes no Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, com margem de erro de 700 óbitos.

Projeção aponta 451 mil mortes por calor durante o próximo El Niño
Foto: José Fernando Ogura/AEN

O próximo El Niño pode estar associado a 451 mil mortes por calor extremo no mundo entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, período em que o fenômeno deve alcançar sua intensidade máxima. No Brasil, a estimativa é de cerca de 13,3 mil mortes, com margem de erro de 700 óbitos para mais ou para menos.

As projeções foram divulgadas nesta quarta-feira (23) pelo Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago. O cálculo considera apenas os efeitos das temperaturas excessivas e não inclui as dezenas de milhares de mortes registradas no verão europeu, já relacionadas ao calor associado ao El Niño.

Concentração dos impactos

O Brasil aparece na 5ª posição entre os países com maior número projetado de mortes por calor. A lista é liderada pela Nigéria, com 31,4 mil mortes estimadas. Depois vêm Indonésia, com 19,3 mil; Sudão, com 17,5 mil; e Índia, com 15, 8 mil.

A qualidade dos dados disponíveis em cada país interfere na margem de erro. Para chegar às estimativas, os pesquisadores analisaram a relação entre temperatura e excesso de mortalidade, ou seja, mortes acima da média, usando como referência o período de 1996 a 2025. O estudo também considerou diferenças de clima local, vulnerabilidade e capacidade de adaptação em 24.378 regiões do mundo.

Essas relações foram aplicadas a previsões de temperatura de longo prazo. Os autores informam que os detalhes do método serão publicados posteriormente em um periódico com revisão por pares.

Quase metade das mortes projetadas, 49%, está concentrada em 50 países. Esse grupo reúne 220,5 mil mortes. A África responderia por 130,2 mil óbitos, ou 59% do total; a Ásia, por 62,2 mil, equivalentes a 28%; e a América Latina, por 24,2 mil, ou 11%.

Adaptação e alerta

Entre os países desenvolvidos, Estados Unidos e Itália aparecem entre os mais afetados, com 3.500 e 780 mortes previstas, respectivamente. Juntos, eles representam menos de 2% do total.

Michael Greenstone, cofundador do laboratório e professor emérito da cátedra Milton Friedman de Economia da Universidade de Chicago, afirmou que a projeção transforma em números os possíveis impactos do calor sobre a saúde. “Este relatório permite que os tomadores de decisão vejam exatamente onde medidas emergenciais podem ser adotadas agora para salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses”, disse.

O fenômeno também pode provocar secas, incêndios florestais e inundações. A Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos Estados Unidos estimam que este El Niño pode ser o mais intenso já registrado.

O relatório recomenda sistemas de alerta precoce, identificação e visitas domiciliares a populações vulneráveis, centros de resfriamento e proteção para trabalhadores ao ar livre. Para Tamma Carleton, coautora do estudo, chefe de pesquisa do Climate Impact Lab e professora assistente da Universidade da Califórnia, em Berkeley, reforçar a resposta emergencial agora pode salvar vidas, mas as medidas de adaptação também são necessárias para evitar uma situação permanente de emergência no futuro.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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