A fragmentação da direita nas candidaturas ao governo de Minas expôs uma sequência de rompimentos envolvendo Marcelo Aro (PP), candidato ao Senado. O ex-secretário de Estado de Governo se afastou de Mateus Simões (PSD), atual governador, e teve rompida a aproximação com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Sem integrar uma chapa, Aro voltou a concorrer ao Senado sem o apoio de um candidato ao governo.
Aro havia iniciado a pré-campanha com a intenção de compor a chapa de Simões. O primeiro conflito ocorreu após a recusa em participar de uma aliança que incluía Carlos Viana (PSD), também candidato ao Senado. Quando Cleitinho desistiu momentaneamente da disputa pelo governo, Aro passou a buscar a própria candidatura ao cargo, ainda enquanto integrava a administração de Simões.
O movimento provocou críticas do ex-governador e do atual mandatário. Simões chamou Aro de “político fisiológico” e afirmou: “foi ele abrigado no governo durante quatro anos”. Depois do rompimento, Aro e seu grupo deixaram o governo mineiro, sob acusações de terem ficado “quatro anos parasitando o Governo de Minas”.
O afastamento de Cleitinho
Cleitinho retomou a intenção de disputar o governo poucos dias depois de desistir da candidatura. Ele aparece nas pesquisas mais recentes com cerca de 32% das intenções de voto. Com a volta do senador, a tentativa de Aro de se lançar ao governo perdeu força.
Aro passou então a apoiar Cleitinho e articulou, junto ao presidente nacional do Republicanos, o aval da legenda. Ele esteve ao lado do senador no anúncio da retomada da disputa, contrariando o apoio da federação União–Progressistas a Simões.
A reaproximação chamou atenção porque Cleitinho havia feito ataques a Aro em 2022, quando o chamou de “canalha” e afirmou que o então secretário do governo Zema teria atacado familiares para prejudicar sua eleição ao Senado. No início da semana, os dois romperam definitivamente. A desaprovação de Aro entre familiares do senador e a avaliação de que o ex-secretário tentava aproveitar a popularidade de Cleitinho aparecem entre as razões atribuídas ao afastamento.
Também são mencionadas acusações relacionadas à Cemig SIM, além de um episódio em que Aro teria orientado Cleitinho a atacar Gabriel Azevedo (MDB) em um debate realizado no último domingo (16). Há ainda acusações de comportamento agressivo com apoiadores do senador durante a gravação de um jingle em Medina, no Vale do Jequitinhonha.
A disputa com Gabriel Azevedo
A antiga rivalidade entre Aro e Gabriel Azevedo voltou ao debate. Ao falar sobre suspeitas de irregularidades na Cemig SIM, o candidato do MDB alertou Cleitinho sobre a proximidade com um político cujo sobrenome “rima com Vorcaro”. A frase foi repetida depois, em uma coletiva de imprensa.
A referência está ligada à demissão de Rubens Soalheiro, diretor comercial da Cemig SIM, modelo de geração compartilhada de energia solar da empresa. A Polícia Federal indicou que Soalheiro teria facilitado contratos com a Green Investimentos, presidida por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Soalheiro também administra empresas ligadas ao núcleo político e empresarial de Aro.
Azevedo afirmou ainda que “a Cemig SIM virou um feudo de indicação política”. A disputa entre os dois começou quando ambos disputavam o comando da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Em 2023, Gabriel Azevedo foi alvo de dois processos de cassação, arquivados e encabeçados pelo grupo político de Marcelo Aro. Na ocasião, Azevedo acusou o então secretário de Estado de Casa Civil de liderar um esquema de propina com empresários do transporte público.
Aro também é associado a Eduardo Cunha. Em 2015, quando era vereador, foi autor de uma homenagem que concedeu a Cunha o título de cidadão honorário de Belo Horizonte. Mais tarde, integrou a tropa de choque de Cunha na Câmara Federal.
Há ainda três boletins de ocorrência relacionados ao ex-secretário. Um deles, de outubro de 2007, registra acusação de agressão feita por uma ex-namorada. Outro, de dezembro de 2008, trata de uma prisão em flagrante por desobediência, em Belo Horizonte. O terceiro registra uma ameaça que teria ocorrido em 2012, em Nova Lima.







