A recusa de Elon Musk em conceder uma entrevista levou o diretor Alex Gibney a incorporar ao documentário “Musk” uma representação digital do empresário. O recurso foi montado com inteligência artificial a partir de declarações públicas reais de Musk, depois de consulta da equipe a advogados e da obtenção de autorização jurídica.
Apresentado fora da competição no 83º Festival de Veneza, o filme também enfrentou dificuldades para reunir depoimentos. Gibney afirmou nesta terça-feira (8/9) que pessoas críticas ao empresário, além de amigos e parceiros de negócios, evitaram aparecer diante das câmeras. “Havia um enorme medo de falar, realmente um medo quase existencial”, disse o diretor.
Da tecnologia à política
O projeto começou em 2023, com a intenção de resultar em um filme mais curto. A dimensão da produção aumentou à medida que Musk se aproximou de Donald Trump, participou da campanha presidencial americana e passou a exercer influência no novo governo republicano.
Gibney iniciou a apuração como admirador do empresário e afirmou ter mudado de visão durante o trabalho. Musk reagiu ao projeto antes de assisti-lo, chamou o cineasta de “incrivelmente tendencioso” e disse que o documentário era um ataque contra ele.
Com 225 minutos, “Musk” percorre a trajetória do empresário, dos primeiros negócios na era da internet à Tesla, à SpaceX e à compra do Twitter, posteriormente transformado em X. O filme também aborda contratos com o governo americano, a atuação de Musk na política de cortes de gastos de Trump e o apoio a movimentos da direita internacional.
Entre os depoentes estão Justine Musk, ex-mulher do empresário; a jornalista Zoë Schiffer; Martin Eberhard, cofundador da Tesla; e Ashley St. Clair, ex-parceira de Musk e mãe de um de seus filhos. St. Clair contou em Veneza que rejeitou um acordo de confidencialidade: “Tive a oportunidade de não falar por US$ 40 milhões”.
Poder econômico e influência política
Na avaliação de Gibney, a atuação política de Musk fez a investigação se expandir. O diretor relaciona interesses ideológicos, práticos e financeiros à agenda global de direita atribuída ao empresário e considera que ele representa um risco extremo para a democracia. O documentário examina ainda a concentração de poder ligada a plataformas, infraestrutura tecnológica e contratos públicos.
Gibney venceu o Oscar de Melhor Documentário por “Um Táxi para a Escuridão” (2007). “Musk” estreia em circuito limitado nos EUA em 16 de outubro, com expansão nacional prevista para 23 de outubro. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.







