A programação dos cinemas ganha uma nova comédia brasileira dirigida por Susana Garcia, além de produções sul-coreanas, americanas, britânicas, canadenses, francesas e dinamarquesas. Entre os destaques estão a parceria de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, o terror cômico “O Sorveteiro” e documentários dedicados a cozinheiras do Distrito Federal e ao cantor Gonzaguinha.
Comédia, zumbis e sorvete amaldiçoado
Em “Minha Melhor Amiga”, Clara (Ingrid Guimarães) e Júlia (Mônica Martelli) chegam aos 50 anos lidando com dificuldades na vida doméstica, profissional e afetiva. As personagens são amigas de longa data e atravessam uma mudança quando suas filhas adolescentes, Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral), viajam para Portugal em um intercâmbio.
A ausência das meninas leva as duas mães a atravessar o Atlântico. Em Portugal e na Espanha, elas encontram novos romances e situações que colocam em questão casamento, sexo, carreira e as transformações da maturidade. O filme marca a primeira produção protagonizada em conjunto por Ingrid e Mônica, amigas há mais de três décadas. A história surgiu de viagens que as atrizes fizeram com suas próprias filhas.
Susana Garcia retoma a comédia popular depois de três filmes que, juntos, ultrapassaram 20 milhões de ingressos no Brasil. Ela também dirigiu “Minha Irmã e Eu”, que aparece entre os trabalhos citados na apresentação do longa.
A produção sul-coreana “Minha Filha É um Zumbi” combina drama familiar e apocalipse zumbi. Jung-hwan (Jo Jung-suk), pai solteiro e treinador de animais selvagens, foge com a filha Soo-a (Choi Yu-ri) quando ela é transformada por um vírus. A família se esconde em Eunbong, onde vive a mãe de Jung-hwan (Lee Jung-eun), enquanto a epidemia é controlada.
Ao perceber que a filha ainda reage a músicas, lembranças e hábitos antigos, o pai cria um treinamento doméstico para ajudá-la a recuperar comportamentos sociais e evitar mordidas. O plano enfrenta a presença de Yeon-hwa (Cho Yeo-jeong), antiga paixão de Jung-hwan e caçadora oficial de zumbis. Dirigido por Pil Gam-sung, o filme adapta o webtoon de Lee Yoon-chang e foi o sul-coreano de maior bilheteria de 2025, com cerca de 5,64 milhões de espectadores e quase US$ 39 milhões arrecadados no país.
Já “O Sorveteiro”, de Eli Roth, acompanha uma cidade chamada Bayleen Bay, onde um vendedor misterioso (Ari Millen) oferece uma sobremesa amaldiçoada. As crianças que consomem o produto passam a atacar os adultos. Jared (Charlie Zeltzer), Tommy (Shiloh O’Reilly) e Mia (Kiori Mirza Waldman) estão entre os poucos jovens que não comem o sorvete e tentam descobrir a origem do vendedor e da violência.
Roth escreveu o roteiro com Noah Belson. O longa aparece com 26% de aprovação no Rotten Tomatoes, e parte da crítica considerou que as mortes elaboradas não sustentam o filme além da provocação inicial.
Guerras, viagens e personagens históricos
Outra estreia acompanha Mark (Dave Franco) e Davis (O’Shea Jackson Jr.), dois homens em dificuldades que passam a transportar pacientes para uma empresa pouco confiável. A primeira missão é levar Sheridan (Mason Thames), um adolescente rico e problemático, até uma clínica de reabilitação. Drogas, acidentes, criminosos e decisões ruins transformam a viagem em uma sucessão de problemas. Kiernan Shipka, Peter Dinklage e Nicholas Braun também aparecem na história.
O projeto vinha sendo desenvolvido por Macon Blair desde 2017 e voltou a avançar com o apoio de Dave Franco, que também assumiu a produção ao lado de Jeremy Saulnier.
O drama de guerra britânico centrado no meteorologista James Stagg (Andrew Scott) reconstrói as 72 horas que antecederam o Dia D. Chefe da equipe meteorológica britânica, Stagg precisa avaliar se o clima permite a travessia do Canal da Mancha por navios e aeronaves aliados. A decisão envolve o general Dwight D. Eisenhower (Brendan Fraser) e militares como Bernard Montgomery (Damian Lewis).
Diante da previsão de uma tempestade, Eisenhower adia a operação por 24 horas. Anthony Maras escreveu o roteiro com David Haig, a partir de uma peça sobre Stagg. A produção da Working Title passou pelo West End londrino e foi apresentada durante as comemorações dos 75 anos do Dia D.
“George Washington” volta à juventude do primeiro presidente americano. Interpretado por William Franklyn-Miller, o personagem aparece como agrimensor da Virgínia em busca de uma comissão no Exército britânico. Depois de entrar para a milícia colonial, recebe missões do vice-governador Robert Dinwiddie (Ben Kingsley) e atua em uma região disputada por britânicos e franceses.
A trajetória inclui o início da Guerra Franco-Indígena e batalhas sob o comando do general Edward Braddock (Andy Serkis). Jon Erwin concebeu o longa para abordar um período anterior à independência e à Presidência dos Estados Unidos.
A comédia romântica canadense “(Quase) O Amor da Minha Vida” adapta “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Johann Wolfgang von Goethe, para Toronto. Werther (Douglas Booth) se apaixona por Charlotte (Alison Pill), que está prestes a se casar com Albert (Patrick J. Adams). O conflito se complica quando Werther também desenvolve amizade com o noivo.
Escrito e dirigido por José Avelino Gilles Corbett Lourenço, o filme foi exibido no Festival de Toronto de 2024 e tem 71% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Arquitetura, fome e música brasileira
“O Grande Arco de Paris” dramatiza a escolha de Johan Otto von Spreckelsen (Claes Bang) para projetar um monumento no distrito financeiro de La Défense. O arquiteto dinamarquês, então com 53 anos, enfrenta limitações técnicas, orçamento, prazos, burocracia e disputas políticas. Paul Andreu (Swann Arlaud) e Jean-Louis Subilon (Xavier Dolan) participam da transformação do projeto em construção.
Stéphane Demoustier adaptou o romance “La Grande Arche”, de Laurence Cossé. A produção integrou a mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes.
O documentário brasileiro “Não Existe Almoço Grátis” acompanha Bizza, Jurailde e Socorro, moradoras do Sol Nascente, no Distrito Federal. As três comandam uma Cozinha Solidária do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e precisam preparar comida para centenas de integrantes que irão a Brasília na posse do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.
Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel registram a organização das refeições e as histórias pessoais das cozinheiras. O filme venceu o prêmio de Melhor Longa pelo júri popular na Mostra Brasília do 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, recebeu menção honrosa do júri oficial e ganhou o prêmio do público na Mostra Ecofalante.
“Gonzaguinha, da Maior Liberdade” revisita a carreira do cantor a partir da relação entre suas músicas e a realidade política e social brasileira. Filho de Luiz Gonzaga, Gonzaguinha abordou desigualdade, trabalho, amor e repressão em canções como “Comportamento Geral”, “Começaria Tudo Outra Vez” e “O Que É o Que É?”. Durante a ditadura militar, mais de 50 composições dele enfrentaram a censura.
Susanna Lira constrói o documentário com vídeos, fotografias, fonogramas e entrevistas de arquivo. Como duas conversas de Gonzaguinha com “O Pasquim” sobreviveram apenas em texto, André Dale interpreta o cantor em uma reencenação dos trechos. A pesquisa e o roteiro são de Rodrigo Alzuguir, com montagem de Ítalo Rocha.
A produção venceu o Kikito de Melhor Longa-Metragem Documental no Festival de Gramado e recebeu o prêmio de documentário narrativo no Los Angeles Brazilian Film Festival.







