RECIFE — Ariano Suassuna foi declarado Patrono da Cultura do Recife. A prefeitura oficializou o título nesta quinta-feira (24), depois que a Câmara Municipal aprovou a lei na última semana. A proposta é do vereador Rinaldo Júnior (PSB).
Nascido em João Pessoa, na Paraíba, o escritor e dramaturgo construiu no Recife a maior parte de sua trajetória intelectual. A cidade também foi cenário de iniciativas centrais de sua produção literária e teatral, além de ter sido defendida por ele como espaço de criação e valorização da cultura brasileira e nordestina.
O prefeito Victor Marques afirmou que a homenagem reconhece a atuação de Suassuna na defesa, na celebração e na reinvenção do imaginário poético e popular do Nordeste. “Ariano é um grande nome da cultura e da literatura brasileira e recifense”, declarou.
Mariana Suassuna, filha do escritor, participou da oficialização e ressaltou a relação dele com a capital pernambucana. “Ele veio muito cedo para estudar e era um apaixonado pela cidade”, disse.
Ariano também é Patrono da Cultura de Pernambuco desde 2020. Seus livros foram publicados em diferentes países e traduzidos para idiomas como inglês, francês, espanhol, alemão e polonês. Ele integrou a Academia Brasileira de Letras, a Academia Pernambucana de Letras e a Academia Paraibana de Letras.
Trajetória entre literatura e teatro
Ariano se mudou com a família para o Recife em 1942. Estudou no Ginásio Pernambucano e no Colégio Oswaldo Cruz e concluiu Direito na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1950. Em 1956, passou a atuar como professor de Estética na instituição.
Sua produção ganhou projeção com obras como “Uma mulher vestida de sol” (1947) e “Auto da Compadecida” (1955). Esta última recebeu a Medalha de Ouro da Associação Paulista de Críticos Teatrais em 1958. No ano seguinte, Suassuna fundou, ao lado de Hermilo Borba Filho, o Teatro Popular do Nordeste.
Em 1970, no Recife, o escritor idealizou e lançou o Movimento Armorial. A iniciativa reuniu artistas de diferentes áreas em torno da criação de artes plásticas, música e literatura ligadas às raízes e aos símbolos do Nordeste brasileiro. Sua obra combinou elementos dos folhetos de cordel, dos autos ibéricos e da comédia popular com a tradição erudita.








