O espetáculo Camocim, criado e interpretado por Cristina Carvalhedo e Tatiana Carvalhedo, encerra sua circulação pelo Distrito Federal com apresentações no Teatro Hugo Rodas, no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul. As sessões acontecem em 25 de setembro e 26 de setembro, sempre às 20h. A entrada é gratuita, mediante a entrega de 1kg de alimento.
A montagem parte das experiências das artistas, que são mãe e filha, para aproximar lembranças, histórias familiares, silêncios e ausências. A dramaturgia autoral combina esses elementos à fabulação e amplia a relação entre as duas para tratar de memória, ancestralidade e das narrativas que atravessam gerações.
Para Tatiana Carvalhedo, levar a relação familiar para o palco também aprofundou uma parceria que já existia fora dele. “Criar juntas, porém, é conversar também com as frestas, com os incômodos, com aquilo que nem sempre é dito”, afirma.
Cristina Carvalhedo conta que a criação não nasceu apenas da história das duas. As trajetórias de outras mulheres também serviram de inspiração, especialmente as experiências de quem veio antes e a relação dessas mulheres com sua terra e sua origem.
A direção artística e musical de Fernanda Jacob conduz a passagem entre realidade e ficção. A encenação trabalha com humor, emoção, pequenos acontecimentos e atmosferas, sem reconstruir literalmente o passado. Gestos, recordações e situações cotidianas ganham espaço para refletir sobre o que permanece ao longo do tempo e sobre os sentidos que a memória pode adquirir quando é compartilhada.
A circulação passou pelo Gama, por Taguatinga e por Planaltina, encontrando públicos de diferentes regiões do Distrito Federal. O projeto também realizou sessões para estudantes da rede pública, além de mediações culturais, oficinas, recursos de acessibilidade e outras ações formativas.
Para Tatiana, cada encontro modifica a percepção sobre a obra e reforça a importância de preservar histórias de pessoas que não tiveram espaço de fala ou foram esquecidas. “O espetáculo se completa de maneiras muito diferentes em cada pessoa que o encontra”, diz.
No Teatro Hugo Rodas, a montagem mantém no centro a parceria entre mãe e filha e a ligação com as gerações que as antecederam. A peça transforma essa convivência em uma experiência sobre pertencimento, escuta e memória.







