A biografia Brady: an american story and the price of greatness, de Lars Anderson, revisita a carreira de Tom Brady a partir das escolhas pessoais associadas à sua dedicação ao futebol americano. Ainda sem tradução no Brasil, o livro foi analisado pela jornalista Jennifer Wilson em uma resenha da revista americana The New Yorker.
Brady terminou a carreira com sete títulos do Super Bowl, conquistados em mais de duas décadas na NFL. A obra, porém, desloca o foco das vitórias para os custos de uma busca descrita como quase incessante — e como uma obsessão pelo sucesso em campo.
O casamento como medida da carreira
A resenha chama o divórcio de Brady e Gisele Bündchen de seu maior “fumble”, termo usado no futebol americano quando um jogador deixa a bola escapar. A publicação questiona se o ex-quarterback pode ser considerado alguém que ganhou tudo depois de deixar escapar um relacionamento de 16 anos.
A análise também discute a forma como a vida amorosa costuma ser usada para reduzir conquistas profissionais, especialmente no caso de mulheres. Jennifer Wilson observa que, se Brady fosse uma mulher, a história provavelmente seria apresentada como uma memória centrada no fim do casamento.
A trajetória esportiva começou sob desconfiança. Brady foi escolhido pelo New England Patriots na 199ª posição do Draft de 2000. Dois anos depois, tornou-se o quarterback mais jovem a conquistar um Super Bowl. Ao fim da carreira, somou seis títulos pelos Patriots e um pelo Tampa Bay Buccaneers.
A decisão de continuar
Brady conheceu Gisele no fim de 2006, após uma apresentação feita por Ed Razek, então executivo de marketing da Victoria’s Secret. O casal se casou em 2009 e permaneceu junto por 13 anos. O divórcio foi anunciado em 2022, depois de um período em que a permanência do atleta no futebol passou a ser relacionada publicamente a tensões familiares.
Em fevereiro daquele ano, Brady anunciou que deixaria a NFL, mas voltou atrás 40 dias depois e disputou mais uma temporada pelo Tampa Bay Buccaneers. Gisele já havia falado sobre o desejo de que o marido encerrasse a carreira.
Para a resenha, esse episódio revela a dificuldade do ex-jogador de abandonar a lógica competitiva que sustentou sua trajetória. O casamento também ampliou a projeção pública do casal, cuja fama alcançava tanto a moda quanto o futebol americano. A discussão proposta por Wilson não tenta definir se Brady venceu ou perdeu com o divórcio, mas examina o preço cultural atribuído à ideia de grandeza.








