A demissão de David Ellefson levou o Megadeth a remover e regravar todas as linhas de baixo do novo álbum da banda. O relato é de Dave Mustaine em In My Darkest Hour, biografia lançada em 8 de setembro pela editora Da Capo.
O líder do grupo afirma que a saída de Ellefson não aconteceu apenas por causa do vazamento de vídeos íntimos do baixista. Segundo Mustaine, a relação entre os dois já vinha se deteriorando, e o episódio acelerou um rompimento que ele considerava próximo.
Uma relação marcada por conflitos
Mustaine conta que recebeu pela internet a notícia sobre os vídeos, que surgiram no Twitter em 10 de maio de 2021. O material mostrava Ellefson se masturbando e, de acordo com o relato, era resultado de uma interação online com uma fã do Megadeth de dezenove anos. A repercussão cresceu à medida que novos detalhes vieram a público.
No dia seguinte, o Megadeth divulgou um comunicado dizendo que a situação estava sendo acompanhada. Naquele momento, Mustaine também reavaliava sua relação de quase 40 anos com Ellefson, marcada por amizade, parceria criativa e brigas.
O vocalista e guitarrista afirma que a confiança foi destruída, pelo menos para ele, depois de um processo judicial movido por Ellefson em 2004, após a separação da banda. Os dois fizeram as pazes em 2010, e o baixista voltou ao Megadeth como músico assalariado, não como parceiro criativo.
Mustaine descreve ainda uma convivência atravessada por raiva, ressentimentos e diferenças sobre o lugar de cada um no grupo. Ele diz que a banda era sua e que, em sua avaliação, a maioria das músicas também era dele. A amizade inicial, segundo o músico, havia se apoiado principalmente em música e drogas.
Quando os dois ficaram sóbrios, o distanciamento aumentou. Mustaine afirma que passou a buscar uma vida mais honesta e espiritual, enquanto os dois encaravam a sobriedade e a recuperação de maneiras distintas.
O período do câncer e a saída
O livro também relaciona o desgaste ao período em que Mustaine foi diagnosticado com câncer. A turnê foi cancelada, e o músico trabalhou no álbum enquanto enfrentava o tratamento. Ele diz que Ellefson demonstrava irritação e impaciência em alguns momentos, enquanto os demais pareciam compreensivos e solidários.
Mustaine considera que a inveja profissional e a pressão financeira podem ter contribuído para a tensão, mas ressalva que está especulando e que não conversa com Ellefson há vários anos. Para ele, não era possível saber se o baixista continuaria na banda sem o vazamento, mas o fim da relação provavelmente já se aproximava.
Poucos dias depois do episódio, o Megadeth informou a Ellefson que ele deixaria o grupo. Em 24 de maio, a banda publicou no Facebook um comunicado anunciando o encerramento da parceria. A mensagem afirmava que, diante do desgaste anterior e do que havia sido revelado, não seria possível continuar trabalhando juntos.
A saída, porém, criou um problema para o álbum. Ellefson havia participado de todo o trabalho como baixista, e sua presença poderia se tornar uma distração no lançamento, além de envolver questões financeiras. A decisão foi retirar completamente suas gravações e registrar novamente as linhas com outro músico.
O Megadeth está em sua turnê de despedida com James LoMenzo no baixo. Ellefson segue envolvido em várias bandas, entre elas a nova formação do Metal Church.








