Tony Iommi transformou uma crise criativa em uma das faixas mais contundentes do Black Sabbath. Durante a produção de “Sabotage”, em 1975, o guitarrista buscava escapar das soluções que ele mesmo havia ajudado a tornar reconhecíveis na banda — e desse movimento nasceu “Symptom of the Universe”.
Iommi evitava ouvir outros guitarristas para não absorver ideias alheias de forma involuntária. O desafio central, no entanto, estava dentro da própria trajetória: encontrar caminhos novos sem repetir riffs e estruturas já usados por ele. “Eu estava competindo comigo mesmo”, afirmou ao recordar aquele período.
Um riff fora do padrão
A composição se afastou conscientemente do som que havia funcionado nos discos anteriores. O resultado foi um riff agressivo e seco, considerado um dos mais pesados da carreira do Black Sabbath. A faixa também passou a ser apontada como precursora de vertentes que só seriam desenvolvidas plenamente anos depois.
A tentativa de deixar para trás a identidade já estabelecida pela banda produziu, assim, um efeito contrário: “Symptom of the Universe” acabou profundamente associada ao próprio som do Sabbath. A música mostra como a busca por ruptura podia ampliar, em vez de apagar, as marcas do grupo.
Da força ao improviso
A faixa ainda muda radicalmente de direção depois da primeira metade. O trecho pesado dá lugar a uma passagem acústica, quase jazzística. Iommi disse que essa transição não resultou de um planejamento elaborado: “Era simplesmente a gente tocando junto.”
Essa combinação ajuda a explicar o caráter inquieto de “Sabotage”. O Black Sabbath não se limitava a repetir uma fórmula que já havia levado a banda ao topo. Havia também uma tentativa de expandir o vocabulário musical e testar novas combinações dentro daquele peso.
A disputa de Iommi consigo mesmo continuaria ligada à criação de riffs. O problema deixou de ser apenas compor algo pesado e passou a incluir a necessidade de surpreender depois de participar da criação das próprias regras do jogo. Nesse sentido, “Symptom of the Universe” se tornou uma resposta à altura: uma fuga que terminou revelando novas possibilidades para o som do Black Sabbath.







