Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Darryl Cunningham: “A originalidade vem da experiência humana”

Cartunista britânico fala sobre desigualdade, bilionários, inteligência artificial e os desafios de retratar a política contemporânea.

Darryl Cunningham: “A originalidade vem da experiência humana”

O cartunista e escritor britânico Darryl Cunningham usa os quadrinhos para investigar temas como saúde mental, ciência, economia e política. Em seus livros, combina pesquisa e narrativa visual para discutir desigualdade, concentração de poder e os efeitos das decisões políticas sobre a vida coletiva.

Cunningham afirma que sua visão foi moldada pela origem em uma família de classe trabalhadora. Os pais trabalhavam em fábricas de uma cidade antes ligada à indústria têxtil, setor que perdeu empregos para o Extremo Oriente. A infância também foi marcada pelas greves dos mineiros e pelo conflito na Irlanda do Norte, experiências que contribuíram para sua formação política.

Uma perspectiva moral

O autor diz que costuma observar a política a partir de uma perspectiva moral. Seu principal incômodo com a direita, segundo ele, é a tentativa recorrente de oprimir outros grupos. No cenário posterior ao Brexit, ele acompanha o crescimento de partidos de extrema-direita e critica posições anti-imigração, anti-LGBT e antimulheres.

A crítica à concentração de riqueza aparece em obras e análises sobre figuras como Jeff Bezos, Ayn Rand, Elon Musk e Vladimir Putin. Cunningham diferencia pessoas ricas de bilionários: para ele, a partir de determinado nível, a fortuna permite comprar meios de comunicação e exercer influência profunda sobre a política. “Podem, literalmente, reconstruir a realidade”, afirma.

Na avaliação do cartunista, os bilionários do Vale do Silício se afastam da experiência das pessoas comuns e passam a enxergar a maioria como irrelevante. Ele também observa que alguns parecem se considerar protagonistas absolutos da sociedade.

Tecnologia e criação artística

Cunningham não acredita que a inteligência artificial vá substituir todo o trabalho humano. Ele compara a tecnologia aos sintetizadores, que não eliminaram os músicos e acabaram incorporados à produção musical. Também questiona a sustentabilidade econômica do setor e cita os recursos consumidos, além de lembrar que tecnologias anunciadas como revolucionárias, como a realidade virtual e a impressão 3D, ocuparam nichos específicos.

Como artista, ele critica o uso de trabalhos de outros criadores no treinamento desses sistemas. Para Cunningham, a inteligência artificial reorganiza materiais existentes, mas não produz algo realmente original. “A originalidade vem da experiência humana”, diz.

Pesquisa e política em movimento

O interesse pelos quadrinhos começou na infância, quando a linguagem o ajudou a aprender a ler. Escrever e desenhar sempre fizeram parte de sua trajetória, e a combinação das duas atividades se tornou um caminho natural.

Os livros sobre saúde mental provocaram relatos pessoais de leitores, enquanto os trabalhos políticos foram recebidos principalmente como análises. Para pesquisar, Cunningham recorre a biografias, reportagens e artigos científicos. Ao escrever sobre Robert F. Kennedy Jr., por exemplo, estudou questões relacionadas às vacinas para conferir os dados apresentados.

Um novo livro nasceu depois que ele recusou um projeto sobre Donald Trump, por considerar que já havia muitas obras sobre o ex-presidente. Em vez disso, decidiu abordar pessoas próximas a Trump, como Steve Bannon e Pam Bondi. O trabalho é dividido em capítulos dedicados a diferentes figuras de sua administração.

O autor observa que a política contemporânea impõe um problema para quem escreve: os acontecimentos mudam rapidamente e podem tornar parte do conteúdo desatualizado antes mesmo da publicação. A obra sairia na França em outubro, perto das eleições de meio de mandato, em novembro, nos Estados Unidos.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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