SÃO PAULO — Uma retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo reúne 230 obras de Ismael Nery e propõe uma leitura ampla da trajetória do artista paraense. Com curadoria de Yuri Quevedo, a exposição percorre diferentes aspectos de uma produção que não se limita à pintura nem cabe facilmente nas classificações da arte brasileira.
Nascido no Pará, em 1900, Nery estudou na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Além de pintar e desenhar, atuou em áreas como poesia, arquitetura, cenografia e balé, revelando uma prática artística múltipla.
Uma obra difícil de enquadrar
As pinturas de Nery foram relacionadas ao cubismo, ao surrealismo e ao modernismo. A exposição, porém, destaca as diferenças entre seu trabalho e esses movimentos. Para Quevedo, o artista não fragmentava os corpos em vários ângulos, como faziam os cubistas. Seu procedimento era mais próximo de reconstruí-los, parte por parte.
Essa singularidade ajuda a explicar o título da mostra, Ismael Nery: Armadilha Moderna. A palavra aponta para os limites das tentativas de definir o lugar do pintor na produção artística brasileira. Nery não se ajustou completamente a nenhum dos movimentos associados a seu nome.
Também manteve uma relação distante com o mercado. Em alguns momentos, doava seus quadros; em outros, chegava a descartá-los.
Nery morreu aos 33 anos, vítima de tuberculose. O reconhecimento de sua importância levou tempo, e a retrospectiva apresenta um olhar mais abrangente sobre uma obra que reúne diferentes linguagens, escolhas formais e caminhos de criação.








