Leticia Colin acredita que a mocinha de 2026 não pode repetir o comportamento das protagonistas de décadas passadas. Na novela Quem ama cuida, ela interpreta Adriana, uma mulher que sente raiva, se posiciona, erra e ainda busca o que considera bom para si e para os outros.
Em entrevista ao videocast Conversa vai, conversa vem, exibido nos canais da Globo no YouTube e no Spotify, a atriz contou que recebeu uma mensagem de Glória Pires quando interpretava Vanessa em Todas as flores. A veterana escreveu: “Gosto muito do seu estilo”.
Colin disse que ficou surpresa com o reconhecimento. Para ela, a mensagem ajudou a legitimar uma maneira própria de atuar e a confiar mais na intuição, mesmo quando suas escolhas podem desagradar ou parecer equivocadas. Sobre Adriana, afirmou: “Eu prefiro o exagero à mesmice”.
Uma protagonista em transformação
Ao falar sobre a trajetória das mocinhas interpretadas por Regina Duarte e Glória Pires, Colin demonstrou gratidão e respeito pelas atrizes que acompanhou desde a infância. Para ela, a protagonista contemporânea precisa refletir discussões sobre feminismo, transformação social, liberdade, sexualidade e justiça.
A atriz disse que Adriana pode “pisar na bola”, mas não abre mão de desejar uma vida melhor. A personagem, segundo Colin, representa uma mocinha que se reinventa sem perder a humanidade.
Na série Jogada de risco, disponível no Globoplay, Colin vive Rita, uma ex-prostituta de luxo. A personagem, diferente de Adriana, foi construída com a intenção de não ser reduzida à sua história ou ao próprio corpo. A atriz defendeu que a ficção trate sexo, desejo e prazer feminino com maturidade, sem culpa ou moralismo.
Corpo, nudez e imaginário
Colin também comentou a presença de corpos masculinos na série e a nudez, que, segundo ela, aparece com menos frequência do que a feminina. A direção é assinada por Bruno Safadi.
Para a atriz, as imagens produzidas pela ficção ajudam a reconstruir o imaginário sobre o desejo e o corpo. Ela criticou a ideia de que cenas sexuais precisem reproduzir a performance associada à pornografia e defendeu representações em que as pessoas possam viver suas fantasias sem precisar atuar para os outros.
Ao falar sobre a nudez, Colin comparou a exposição de um seio à de uma lágrima. Em sua visão, as duas situações exigem o mesmo cuidado na construção dramatúrgica e na entrega ao público. A atriz afirmou que essa forma de trabalho amplia sua liberdade em cena.







