A turnê de Ed Sheeran perdeu quatro atrações depois que Macklemore foi retirado da programação dos shows nos Estados Unidos. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e o grupo Beoga anunciaram que não participarão mais das apresentações, em decisões acompanhadas de críticas à saída do rapper e declarações de solidariedade à Palestina.
A mudança atinge também a agenda sul-americana. Finneas, irmão e colaborador musical de Billie Eilish, estava previsto nos shows de Sheeran dos dias 5 e 6 de dezembro, no Nubank Parque, em São Paulo. A participação não deve mais acontecer.
Pressão nas redes sociais
O episódio levou seguidores a criticarem Ed Sheeran nas redes sociais. O cantor desativou os comentários da publicação mais recente em que abordou a controvérsia e, até agora, não comentou a retirada dos demais músicos da turnê.
Finneas afirmou que decidiu deixar as próximas datas e declarou apoio a Macklemore e ao povo palestino. Aaron Rowe, que fazia a abertura dos shows, disse manter uma relação pessoal com Sheeran, mas justificou a saída com críticas ao silêncio diante das manifestações sobre o conflito.
Lukas Forchhammer, vocalista do Lukas Graham, defendeu que artistas possam falar sobre guerras, civis mortos e crianças. O Beoga, grupo irlandês que trabalha com Sheeran há mais de uma década e participa de músicas do cantor durante os shows, também abandonou as datas restantes nos Estados Unidos. A banda disse que não permaneceria em locais que, na avaliação dela, silenciam manifestações em defesa dos palestinos.
Reações dividem artistas
A repercussão alcançou outros nomes da música. Uma publicação de Macklemore sobre o caso recebeu curtidas de Hayley Williams, Zara Larsson, Melanie Martinez, Girl in Red, PinkPantheress e Skip Marley. A interação, isoladamente, não indica que todos apoiem integralmente as declarações do rapper.
Kehlani, que havia sido retirada da programação do SummerStage, no Central Park, em Nova York, no ano passado após se manifestar a favor da Palestina, apoiou Macklemore publicamente. Já Pink republicou uma mensagem do grupo StopAntisemitism contra a apresentação do rapper e disse ter ficado assustada enquanto mãe judia.
O início da controvérsia
A crise começou em 4 de setembro, quando Macklemore abriu o show de Sheeran no MetLife Stadium, em Nova Jersey. No palco, ele disse que uma das razões para aceitar a turnê era poder falar “Free Palestine” — “Palestina livre”. Também apresentou “Hind’s Hall”, canção de protesto dedicada a manifestantes pró-Palestina da Universidade Columbia, enquanto imagens da destruição em Gaza apareciam nos telões.
O Israeli American Council lançou uma petição pela retirada do rapper. Proprietários de estádios também se opuseram à participação dele. Robert Kraft, dono do New England Patriots e do Estádio Gillette, nos arredores de Boston, afirmou que não permitiria a apresentação de Macklemore no local.
A Messina Touring Group, produtora da turnê, informou que casas responsáveis pelos próximos shows disseram que o rapper não poderia continuar na programação. Macklemore abriria oito dos dez compromissos restantes da etapa americana. A empresa declarou que mantê-lo poderia provocar o cancelamento das apresentações e afetar centenas de milhares de fãs.
Sheeran afirmou que a decisão partiu da produtora e dos locais dos shows, não dele. Em comunicado, disse ter tentado buscar uma solução durante a semana e declarou: “A saída de Macklemore da turnê foi uma decisão da produtora, não minha.” O cantor também defendeu não transformar seus shows em fórum político.
Macklemore afirmou compreender a posição em que Sheeran foi colocado, mas criticou a escolha do britânico de não assumir uma posição pública. Para o rapper, os palestinos são as vítimas da controvérsia.







