Macklemore construiu uma carreira em que o rap se mistura a debates sociais, políticos e humanitários. Essa trajetória voltou ao centro das atenções depois que o artista deixou a “Loop Tour”, de Ed Sheeran, após manifestações em apoio aos palestinos durante apresentações no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no início de setembro.
Nos shows, o rapper americano gritou “Palestina livre” e disse aos palestinos que eles não haviam sido esquecidos. A decisão de retirá-lo da turnê foi atribuída à empresa promotora Messina Touring Group, e não a Sheeran. O cantor britânico afirmou que os responsáveis pelos locais de apresentação avisaram que cancelariam os shows caso Macklemore continuasse como atração de abertura. Ele também disse que tentou reverter a medida, sem sucesso.
Macklemore e sua equipe esclareceram que Sheeran não foi responsável pela saída. O próprio cantor afirmou que prefere não comentar publicamente questões políticas, sobretudo a guerra em Gaza, mas negou que o silêncio signifique indiferença. “Não sou cúmplice”, declarou Sheeran, acrescentando que tem opiniões próprias sobre o conflito.
Rap e posicionamento social
Conhecido por sucessos como “Thrift Shop”, Macklemore ganhou projeção internacional com músicas que abordam questões sociais. A faixa foi lançada em 2012. Ao longo da carreira, o artista criticou a pobreza e o consumismo e defendeu publicamente os direitos da comunidade LGBTQIAPN+.
Em maio de 2024, ele lançou “Hind's Hall”, música de apoio aos palestinos e de elogio a estudantes americanos que protestaram contra a guerra de Israel em Gaza. Nos últimos anos, também passou a se posicionar com mais frequência sobre a situação de palestinos e sudaneses.
Reações à saída
A decisão provocou o afastamento de outros nomes da programação. Finneas, irmão de Billie Eilish, anunciou que deixaria os shows e afirmou que artistas não deveriam ser silenciados por defender causas importantes. Aaron Rowe, a banda irlandesa Beoga e o dinamarquês Lukas Graham também abandonaram a turnê.
Beoga disse que sairia após o que classificou como silenciamento de Macklemore pelos lobbies sionistas. O grupo se apresentou como integrante fundadora do movimento Irish Artists for Palestine. Rowe, por sua vez, criticou o uso do poder de bilionários para silenciar vozes contrárias ao genocídio israelense.
A ativista sueca Greta Thunberg e o Humanti Project também criticaram Sheeran. Em uma publicação no Instagram, afirmaram: “Ed, só há uma vítima aqui: o povo palestino”.







