A Justiça espanhola recebeu uma nova ação apresentada por duas ex-funcionárias de Julio Iglesias, que relatam episódios de assédio, agressões sexuais e condições de trabalho forçado. A iniciativa foi anunciada nesta sexta-feira, 4, pela Women’s Link Worldwide, organização que representa as mulheres.
A denúncia foi protocolada na quinta-feira, 3. As duas já tinham recorrido aos tribunais espanhóis em janeiro, mas o caso acabou arquivado. Naquele momento, as autoridades entenderam que a Justiça do país não tinha competência para examinar fatos que teriam ocorrido nas Bahamas e na República Dominicana, onde elas afirmam ter trabalhado para o cantor em 2021.
A Women’s Link Worldwide argumenta agora que existe uma base legal para que o caso seja reavaliado na Espanha. A legislação permite investigar e processar determinados crimes cometidos fora do território espanhol quando há vínculos relevantes com o país.
Segundo a organização, essa possibilidade pode ser usada quando um cidadão espanhol é acusado de praticar no exterior uma conduta que também seja considerada crime no local onde ocorreu. A entidade afirma que os relatos incluem “situações contínuas de assédio e agressões sexuais” e “condições de trabalho forçado e degradantes”.
Jovana Ríos Cisnero, diretora-executiva da organização, defendeu que as denunciantes tenham acesso ao sistema de Justiça em igualdade de condições. Em janeiro, a Procuradoria da Audiência Nacional, tribunal de Madri voltado a casos complexos e a crimes cometidos por espanhóis no exterior, informou que o arquivamento não impedia novos recursos a outras instâncias judiciais.
Julio Iglesias, de 82 anos, nega as acusações. O cantor classificou os relatos como “absolutamente falsos” e disse que nunca “abusou, coagiu ou desrespeitou qualquer mulher”.
Nascido em 1943, Iglesias ganhou projeção internacional a partir da década de 1970 e vendeu mais de 300 milhões de discos. Entre as músicas associadas à carreira estão Soy Un Truhán, Soy Un Señor, Gwendolyne e Me Olvidé de Vivir.








