BRASÍLIA — A peça “O Filho”, do dramaturgo e cineasta francês Florian Zeller, chega a Brasília com uma história sobre depressão na adolescência, comunicação dentro de casa e os limites das relações familiares. A montagem brasileira terá apresentações no Teatro UNIP, em 26 e 27 de setembro.
A direção é de Léo Stefanini, que reúne Maria Flor, Gabriel Braga Nunes, Bruna Miglioranza, Andreas Trotta, Marcio Marinello e Luciano Schwab no elenco. A trama acompanha Nicolas, de 16 anos, que enfrenta um período de sofrimento psicológico e não encontra lugar diante das mudanças próprias da juventude. Depois da separação dos pais, ele passa a viver com o pai, numa tentativa de reorganizar a própria vida.
O espetáculo já passou por mais de 20 países e também ganhou uma adaptação para o cinema. No Brasil, a ideia de montar o texto existe desde 2018. A peça é o segundo trabalho de Stefanini com uma obra de Zeller. Antes, o diretor comandou “O Pai”, montagem que rendeu a Fúlvio Stefanini o Prêmio Shell de melhor ator.
Silêncios e tentativas de aproximação
A história não se concentra apenas na experiência de Nicolas. O drama também acompanha a dificuldade dos familiares e das pessoas próximas para identificar e compreender sinais de sofrimento psicológico. Gabriel Braga Nunes interpreta o pai do adolescente e vê na peça o retrato da falta de repertório das famílias ao lidar com questões de saúde mental.
“A comunicação não é fácil e o ato de simplesmente prestar atenção pode ser revolucionário dentro de casa”, afirma o ator.
A comunicação truncada aparece na narrativa por meio de silêncios, incompreensões e esforços de aproximação. Maria Flor, que interpreta a mãe de Nicolas, destaca o trabalho com aquilo que os personagens não conseguem expressar diretamente. Para a atriz, a encenação busca revelar, nos gestos e nas relações, o que permanece escondido nas falas.
A montagem também evita soluções simples para o sofrimento do adolescente. Os pais tentam compreender o filho e ajudá-lo, mas se deparam com os limites dessas iniciativas. Para Gabriel Braga Nunes, essa dinâmica reforça a importância de manter a atenção sobre as pessoas próximas e de procurar ajuda quando necessário.
Proximidade com o público
A proposta de Léo Stefanini é conduzir o drama pela atuação e pela relação entre os personagens. O cenário, a iluminação e a trilha acompanham uma estrutura sintética, sem uma cena carregada de recursos visuais. O foco fica nos olhares e nas expressões dos intérpretes.
Para Maria Flor, a experiência pode levar o público a refletir sobre a necessidade de escutar os filhos, reconhecer suas individualidades e respeitar quem eles são.
As sessões serão no Teatro UNIP — SGAS 913, no sábado, às 20h, e no domingo, às 19h30. Os ingressos custam a partir de R$ 25, na modalidade meia, e estão disponíveis pelo site.







