SÃO JOSÉ — A produção de peças de barro ainda encontra espaço em São José, onde a Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros mantém cursos gratuitos de roda e modelagem. Criada em 1992, a instituição reúne mais de 190 alunos e preserva uma tradição que chegou com os açorianos e se concentrou no bairro da Ponta de Baixo.
A cidade também abriga o Theatro Adolpho Mello, na Praça Hercílio Luz. Em funcionamento desde 1854, ele é considerado pela Prefeitura de São José a casa de espetáculos mais antiga de Santa Catarina e a quarta do país. O espaço leva o nome de um violinista josefense descendente dos primeiros açorianos e segue ativo como escola de teatro e dança, com turmas gratuitas para estudantes da rede pública.
A cerâmica já teve presença maior na economia local. São José foi uma grande produtora e exportadora de louça, mas das cerca de 20 olarias que funcionavam nos anos 1950 restam quatro. A escola ajuda a manter a técnica associada à formação histórica do município.
A marca dos colonizadores também aparece na origem da cidade. Em 26 de outubro de 1750, 182 casais açorianos das ilhas do Pico, Terceira, São Jorge, Faial, Graciosa e São Miguel fundaram o povoado, conforme a Prefeitura de São José. O lugar se tornou freguesia seis anos depois, vila em 1833 e cidade em 1856.
Em 1829, São José recebeu ainda o primeiro núcleo de colonização alemã de Santa Catarina. Essa combinação se manifesta no sotaque de bairros como o Sertão do Maruim e na alimentação, que reúne pratos de origem europeia e preparos de peixe da Baía Norte.
A herança arquitetônica pode ser vista no Centro Histórico, formado por casarões luso-brasileiros no entorno da Praça Hercílio Luz, pela igreja matriz e pelas ruas que conservam o desenho da antiga freguesia. No mesmo núcleo estão o Museu Histórico Municipal, instalado em um sobrado, e a Casa da Cultura Nésia Melo da Silveira, voltada a exposições e atividades culturais.
Entre a baía e os bairros urbanizados
São José é banhada pelas baías Norte e Sul e cortada pela BR-101. A Beira-Mar reúne ciclovia, pista de caminhada, quadras e vista para os morros de Florianópolis. Já Kobrasol e Campinas concentram calçadão, restaurantes, shoppings e vida noturna.
O município tem padrão subtropical, com quatro estações marcadas e chuva distribuída ao longo dos meses. O inverno apresenta mínimas de um dígito, enquanto o verão concentra o calor úmido do litoral catarinense. As condições podem variar de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña.







