RIO DE JANEIRO — A ex-vereadora Verônica Costa é procurada pela Polícia Civil para cumprir uma pena de dez anos e oito meses de prisão por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa. A ordem foi expedida pela 16ª Vara Criminal da Capital depois que o processo chegou ao fim, sem possibilidade de novos recursos. Ela é considerada foragida.
Agentes fizeram diligências em endereços relacionados à ex-vereadora, incluindo o imóvel onde ela mora, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio. Verônica, no entanto, não foi localizada.
Do funk à Câmara Municipal
Antes da carreira política, Verônica ficou conhecida no funk carioca como a “Mãe Loira do Funk”. Empresária, cantora e apresentadora, ela participou de bailes e programas associados à Furacão 2000. Nascida no Rio de Janeiro, cresceu na região de Tomás Coelho, na Zona Norte.
Aos 16 anos, começou a trajetória no funk ao lado do empresário Rômulo Costa, com quem se casou e teve dois filhos, Jonathan e Jennifer. Após o fim do relacionamento, em 2001, deixou a Furacão 2000 e criou a própria equipe, a Glamourosa.
Verônica foi eleita pela primeira vez em 2000 e assumiu uma cadeira na Câmara Municipal no ano seguinte. O histórico oficial da Casa registra cinco mandatos: de 2001 a 2004, de 2005 a 2008, de 2013 a 2016, de 2017 a 2020 e de 2021 a 2024. Ao longo desse período, passou por PL, PMDB/MDB, PR, DEM e Republicanos, partido ao qual informou filiação em abril de 2024.
Na atividade parlamentar, manteve a ligação com o funk e se apresentou como defensora de pautas relacionadas à juventude e aos direitos das mulheres. Também ocupou a presidência da Comissão de Prevenção às Drogas e a vice-presidência da Comissão de Defesa da Mulher.
O processo por tortura
O caso começou em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa procurou a Polícia Civil e denunciou agressões. Segundo a acusação, ele teria sido mantido amarrado por horas, agredido e atingido por uma substância química que causou lesões no corpo. Quatro parentes de Verônica também responderam ao processo.
Em 2019, a ex-vereadora foi condenada em primeira instância a cinco anos e dez meses. Após recurso do Ministério Público, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio ampliou a pena, em 2023, para dez anos e oito meses, com início do cumprimento em regime fechado. As penas dos quatro corréus também foram fixadas ou aumentadas naquela decisão.
Verônica sempre negou a acusação. Depois da decisão de 2023, a defesa declarou que a condenação se apoiava no relato do ex-marido sem provas suficientes, na avaliação dos advogados, e informou que recorreria aos tribunais superiores. Com o encerramento dos recursos, a Justiça determinou o início do cumprimento da pena.








