O guitarrista brasileiro Bill Hudson afirmou que considera impossível construir uma carreira profissional de heavy metal no Brasil. A declaração foi feita durante uma live do canal Ibagenscast, em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de uma banda viver da música no país.
Hudson comparou a situação à tentativa de se tornar jogador de futebol profissional no Canadá, por entender que não há estrutura suficiente. Na avaliação dele, o problema envolve a falta de casas de show, gravadoras e outros elementos da cadeia produtiva, mas começa antes: na relação do público com bandas novas.
“Eu sinceramente eu não acho, não acho. Acho que é literalmente impossível”, respondeu o músico.
Público e mercado
Para Hudson, grupos que estão começando precisam disputar a atenção de ouvintes que já têm suas bandas preferidas. Ele disse que parte do público reage mal quando uma atração brasileira tenta ocupar o mesmo espaço de nomes consagrados, como o Angra. O guitarrista estendeu essa avaliação para a América Latina e apontou a Europa e os Estados Unidos como os caminhos viáveis para quem pretende tratar o heavy metal como profissão.
Na conversa, Hudson descreveu o cenário brasileiro como semiprofissional e citou a ausência de estrutura e de casas especializadas. Nascido em São Paulo, ele montou sua primeira banda, o Cellador, nos Estados Unidos. Ainda nos anos 2000, o grupo abriu shows para Trivium e Bullet for My Valentine.
Ao longo da carreira, o guitarrista também tocou com Udo Dirkschneider, Doro e David Vincent. Atualmente, integra a formação do As I Lay Dying ao lado de Chris Clancy, Don Vedda e Tim Yeung.
Apesar das críticas, Hudson elogiou o Bangers Open Air, festival em que tocou com Doro. Segundo ele, a organização, o backstage e a segurança do evento remetiam a um festival europeu. Para o guitarrista, a possibilidade de viver dessa carreira no Brasil teria mudado sua trajetória: “Seria legal se desse, se desse eu nunca tinha saído daí”.







